Brasília - O chefe do Departamento Econômico do Banco Central (Depec), Altamir Lopes, rebateu ontem as críticas de técnicos do Fundo Monetário Internacional (FMI) que consideram o volume da dívida externa um fator de vulnerabilidade do País. Segundo Lopes, o endividamento externo, que em janeiro atingiu US$ 209,5 bilhões, é perfeitamente administrável e não compromete a credibilidade do País.
Uma prova disso, diz Lopes, é que o Brasil continua atraindo volume significativo de investimentos estrangeiros diretos. Somente em março ingressaram no País US$ 2,3 bilhões, mesmo sem ter havido nenhuma privatização de empresas estatais.
Os recursos financiaram com sobra o déficit de US$ 997 milhões nas contas externas. No ano, os investimentos diretos já somam US$ 4,7 bilhões e a expectativa do governo é de que o volume chegará a US$ 18 bilhões até o fim de 2002. ‘‘É uma dívida alta’’, reconhece Lopes. ‘‘Mas, na pior das hipóteses, está estável, com tendência de queda de 1998 para cᒒ, completa.
No último fim de semana, o diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI, Claudio Loser, afirmou que o excessivo endividamento externo brasileiro deixa o País em situação vulnerável, apesar dos avanços obtidos com o ajuste fiscal implementado nos últimos anos. Um levantamento do Banco Mundial (Bird) citado pelo diretor do Fundo afirma que a dívida externa brasileira representa 10% do total da dívida externa mundial. Na avaliação do BC, o perfil de vencimento escalonado da dívida e o fato de a maior parte estar nas mãos do setor privado dá mais tranquilidade ao governo.

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