Governo admite que falha no interior
PUBLICAÇÃO
domingo, 24 de novembro de 1996
Sérgio Wesley 
A participação do governador Jaime Lerner e de sua equipe no segundo turno das eleições municipais de Londrina não serviu apenas para garantir a vitória do candidato do PDT, Antonio Belinati. O governo está reavaliando o seu comportamento político e já admite falhas no atendimento ao interior do Estado. A auto-análise está sendo liderada pelo chefe de gabinete de Lerner, Gerson Guelmann, cuja opinião política ganhou maior expressão com a vitória do governo estadual nas eleições de Londrina.
Guelmann passou três semanas em Londrina e voltou a Curitiba certo de que o governo precisa corrigir algumas falhas políticas e administrativas, já com vistas às eleições estaduais de 1998. Guelmann disse que sentiu na pele a frustração da população Norte do Paraná em relação ao governo estadual. O governador Jaime Lerner é muito admirado e respeitado. Mas existe uma grande frustração pelo fato de o governo ainda não ter executado as grandes promessas de campanha, reconhece.
Segundo ele, o abismo cultural existente entre o interior e a capital está enraizado na cultura da população do Norte do Paraná. Guelmann disse que os animadores dos comícios de Belinati motivavam a platéia provocando as torcidas de times de futebol paulistas e não paranaenses. Não podemos ignorar essa realidade. O governo precisa ter uma presença mais efetiva no interior e dar respostas concretas aos anseios desse povo, integrando todo o Paraná, afirmou.
Guelmann disse que o próprio Lerner está sensível à necessidade de mudanças em seu governo. Um dos principais motes da campanha do Belinati no segundo turno foi lembrar aos eleitores a oportunidade histórica que Londrina tinha de eleger um prefeito alinhado com o governo. Nós vendemos essa idéia, a população comprou e nós vamos ter que entregar o produto, lembrou.
Guelmann afirma que o governador também precisa adotar um novo comportamento político se não quiser perder mais companheiros até a eleição de 1998. Ele avalia que o PSDB está hoje na oposição por falha do próprio governo. Recebemos em nossa equipe secretários que conhecemos uma semana antes da posse. Poderíamos ter aberto espaço ao Hélio Duque, um político que foi leal na campanha e não ganhou espaço no governo. Falhas como essa não podem se repetir, argumenta.
Segundo o chefe de gabinete de Lerner, o governo está passando por um processo de reavaliação. Precisamos aprender com os erros do passado para nos capacitar para o futuro, diz.
A opinião política de Gerson Guelmann sempre foi levada em consideração pelo governador Jaime Lerner. Mas, agora, ganha maior expressão. Guelmann foi o primeiro membro da equipe de Lerner que brigou pela participação efetiva e maciça do governo no segundo turno das eleições em Londrina. Chegou a provocar atritos com outros assessores de Lerner e acabou saindo vitorioso.
Reconheço que ousei, porque era uma coisa incerta. Mas eu sei até onde posso ir e gosto de desafios. Nesse caso, nosso grupo saiu vitorioso. Mas poderíamos ter perdido. Por isso, temos que corrigir nossos rumos, analisa Guelmann.


