Governo acrescentará 18% ao pedágio
Um dos pontos que o governador Roberto Requião mais condenou em Jaime Lerner, implantador do pedágio, ele agora anuncia que irá fazer. Ou seja, implantar mais pedágios, e sob o rótulo de ''pedágio de manutenção''. Quando candidato, Requião proclamava que pedágio era roubo, e adesivos com essa frase frequentaram os pára-choques dos veículos, como instrumento de propaganda. Logo que assumiu, Requião tomou uma série de iniciativas contra as concessionárias e cheio de razão porém nada podendo fazer porque lutava contra contratos assinados. Quebras de itens contratuais aconteceram e continuam acontecendo, por parte de concessionárias, mas nem assim tem sido possível o governo obter algum ganho. Ao contrário, o presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias, João Chiminazzo, ainda debocha do Governo em seus escritos publicados. Isto posto, causa perplexidade o governador Requião anunciar agora que vai implantar pedágios estatais, começando pelas regiões de Maringá, Umuarama, Cascavel, Guaira e Francisco Alves. A tarifa anunciada é de 18% da que é cobrada pelas concessionárias. Baixa, porém mais uma tarifa. Por esta não se esperava, porque já há impostos destinados à manutenção de estradas, pagos pelo usuário de veículos e pelos consumidores de combustíveis. Poderia o governo criar pedágios de manutenção se fossem eliminados tais impostos na proporção correspondente, da mesma forma que isto deveria ter acontecido quando Jaime Lerner embeveceu-se com a idéia do pedágio e, enfiando os pés pelas mãos, sem saber o que realmente estava fazendo quebrou os padrões mundiais do sistema de pedágio e entregou rodovias já prontas às concessionárias. (Hoje esses caminhos não pertencem mais ao povo, como eram, mas a empresas particulares e assim será até que se vença o período contratual de 24 anos) tanto que o usuário que quiser trafegar por elas terá de pagar, e caro, e se reagir será preso). Por estar sofrendo derrotas na Justiça contra as concessionárias (e bom seria se as vencesse), Requião vinga-se delas e implanta pedágios mais baratos, sem atentar que está lançando o ônus desse jogo sobre os proprietários de veiculo automotor. Por não conseguir que as concessionárias reduzam as tarifas, o Governo cria mais uma, e assim onera em mais 18% o custo do uso de veículo nas estradas. Porque aquele adicional não existe hoje, então será um tributo novo. Algo estranho, como apagar um incêndio acrescentando 18% de lenha à fogueira para se vingar de seu tamanho e assim fazendo-a maior. ''Vamos ensinar às concessionárias como manter pedágios sem cobrar preços abusivos'', disse o governador. Escapa do entendimento essa inusitada estratégia, a de acrescentar açoite mais brando para mostrar que é possível açoitar com menos violência. Assim, o governo combate uma sangria aplicando outra. Não se conhece algo mais fora de juízo. As concessionárias não irão se comover com esse gesto governamental e nem irão baixar as tarifas em função desse exemplo. O povo irá reagir, porque ainda não despertou para o fato. O governo daria um bom exemplo se recuperasse as estradas com recursos próprios (e já existem em disponibilidade, pelo menos, R$ 800 milhões para esse fim). Requião disse em 2002, quando em campanha: ''Ou o pedágio baixa ou o pedágio acaba''. Nem o pedágio baixou e nem o pedágio acabou. Ao contrário, a conta do pedágio no Paraná será robustecida em 18%. Requião não deve ter feito essa conta.





