Governar para além das diferenças
O resultado das urnas encerra uma disputa eleitoral, mas não dissolve as divisões que marcaram a sociedade brasileira nos últimos anos
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segunda-feira, 26 de outubro de 2026
O resultado das urnas encerra uma disputa eleitoral, mas não dissolve as divisões que marcaram a sociedade brasileira nos últimos anos
Folha de Londrina 
Uma apuração acirrada, iniciada duas horas depois do previsto, devida a uma ampliação do horário de votação em cidades que tiveram problemas de transporte de eleitores, marcou o segundo turno das Eleições Gerais de 2026. Às 21h09, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) declarou Luiz Inácio Lula, do PT, reeleito Presidente da República para o seu quarto mandato.
Desde a oficialização dos resultados do primeiro turno, no dia 4 de outubro, as urnas demonstraram, mais uma vez, como aconteceu em 2022, um país política e ideologicamente dividido.
Neste 25 de outubro, com 99% das urnas apuradas, Lula tinha 51,76% dos votos válidos, somando mais de 64 milhões de votos. O presidente reeleito ampliou em mais de 10 milhões sua votação em relação ao primeiro turno. Flávio ficou com 48,24%, somando 59,7 milhões de votos, cerca de 3,6 milhões a mais do que havia recebido no primeiro turno.
O presidente eleito sabe que será um desafio governar um país dividido. O resultado das urnas encerra uma disputa eleitoral, mas não dissolve as divisões que marcaram a sociedade brasileira nos últimos anos.
Fechada a apuração, o país que emerge das eleições está diante de um desafio que significa recuperar a capacidade de conviver com as diferenças sem transformá-las em motivo de hostilidade, intolerância ou ruptura.
Sabemos que a divergência política é inerente à democracia. Representa a pluralidade de ideias, interesses e visões de mundo que caracteriza uma sociedade livre. O problema começa quando as diferenças deixam de alimentar o debate público e passam a justificar a disseminação de desinformação e a recusa de quem pensa de outra maneira. Nesse ponto, a política perde sua função de buscar soluções para os problemas coletivos.
Um país dividido compartilha os mesmos desafios. Independentemente das preferências ideológicas, os brasileiros dependem de serviços públicos de qualidade, oportunidades de emprego, segurança, educação, saúde e estabilidade econômica. As dificuldades cotidianas não distinguem eleitores por partido ou posição política.
É justamente nesse contexto que se mede a responsabilidade do próximo presidente da República. A tarefa de reduzir a polarização, contudo, não pertence exclusivamente aos governantes. Partidos, representantes eleitos, lideranças sociais, imprensa e cidadãos também têm responsabilidades na construção de um ambiente público sadio.
Que o presidente eleito saiba transformar a confiança recebida nas urnas em compromisso com todos os brasileiros
Obrigado por ler a FOLHA!


