Uma rastreada no noticiário revela a continuidade de descrença em setores pontuais, ante a crise financeira que já completa meio ano, mas também mostra que ao longo desse período medidas foram tomadas para atenuar impactos ou teria sido pior. Os governos mundiais semearam toneladas de dinheiro, e isto tem servido como dique para aplacar a fúria desse tsunami que varreu o mundo. A previsão emanada da reunião do Grupo dos 20, em Londres, foi que até o final do ano que vem US$ 5 trilhões terão sido injetados globalmente para combater a crise. Impossível que tamanho volume não faça efeito.
As nações mais ricas e as emergentes (Brasil incluído) concordaram na reunião do G20 em destinar recursos de US$ 1,1 trilhão ao Fundo Monetário Internacional para a causa, com visão mais enfocada na manutenção e geração de empregos, que são os alavancadores do desenvolvimento.
Outra decisão foi controlar bancos e reprimir os paraísos fiscais, removendo legislações que bloqueiem transparências. São esforços paralelos para moralizar o universo financeiro, se é que isto é possível. A demonstração, diante do fenômeno da crise, é que ''há governo'', na avaliação de analistas. O propósito de agir conjuntamente foi uma das boas deliberações do encontro. Com efeito, problemas globais reclamam soluções globais, conforme o dizer do primeiro-ministro britânico Gordon Brown, anfitrião dessa reunião de cúpula que acaba de encerrar-se. Mas isto não afasta a necessidade de ações isoladas, que devem ser tomadas em cada país, em cada estado, em cada núcleo municipal, em cada empresa e mesmo no lar. A política do corte de juros é uma das ações previstas. Mas no caso do Brasil isto caminha a passos lentos. Veja-se como exemplo que o Banco Santander/Real anunciou como importante a baixa do juro do cheque especial de 9,70% para 9,57% ao mês. Além da diminuição inexpressiva e até hilariante, o fundamental não foi tocado, que é o elevado patamar desse juro.
Por outro lado, sondagem divulgada pelo Sebrae nacional mostra que os micros e pequenos empresários brasileiros estão otimistas, com 60% deles declarando esperar aumento de vendas no correr deste ano, 56% pretendendo manter o quadro de empregados, 49% anunciando aumento de investimentos e 35% pensando em aumentar contratações. E ontem, representações de universidades paranaenses, de empresas e agências de desenvolvimento reuniram-se em Curitiba visando unir as universidades e outras instituições num movimento para transformar o Paraná em região de inovação em metas desenvolvimentistas. Nem tudo, portanto, vai mal.

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