Governante deve ser agente de transformações
Algumas medidas saneadoras e esporádicas dos governantes são válidas, mas isto é pouco porque o povo espera reformas estruturais e grandes empreendimentos, destes que servem para o presente e para o futuro. Os governos existem para isso, porque as medidas e os serviços rotineiros podem ser desempenhados normalmente pelos serviçais do quadro funcional, bastando que lhes sejam dadas as diretrizes.
Governar um país, um estado, um município, não é tarefa fácil, porque isto exige espírito público e competência gerencial, com o necessário discernimento para eleger prioridades. Assim acontece também com grandes empresas e instituições. Os governos não deixam de ser empresas, com a diferença que eles visam lucros sociais. Infelizmente, no Brasil os comandos no poder ficam muito atentos aos interesses pessoais e partidários, mais como forma de locupletar-se e manter-se no poder. De certo modo seguem a mentalidade dominante no meio social, pois é dali que emanam os homens públicos.
Correções pontuais recebem o aplauso popular e ganham espaço na mídia, mas isto não basta. Um governante ousado tem visão mais larga. Não há tempo a perder nas administrações públicas, porque quase tudo está por fazer neste país de tantas deficiências. Os governos não existem apenas para administrar males sociais, mas para eliminá-los. Se nem tudo é possível, não se pode perder tempo com viciosas cautelas que mais revelam os indecisos e os de baixo poder de decisão. Grandes obras é que marcam os melhores governantes, e são medidas de vasto alcance e benefício público que sinalizam os estadistas. Diz-se estadista daquele que pratica a elevada política, que não seja aquela ordinária e mesquinha e voltada para interesses individuais ou de grupos restritos. O grande grupo a que um político deve servir é a nação inteira, mesmo que eventualmente desagrade alguns segmentos. Se é legítimo o ufanismo de chegar ao poder - porque isto faz parte da luta pelas conquistas humanas - quem chega a essa posição deve conscientizar-se de que não mais se pertence, mas passa ele mesmo a ser uma instituição pública, com amplas obrigações, mesmo que não anunciadas em campanha. Quanto aos direitos, ele os receberá na forma de gratidão do povo e da consciência do dever cumprido.
Retornando ao início deste escrito, já desde os primeiros momentos de um governo será preciso articular obras grandes - físicas ou político-administrativas - porque o tempo é escasso e os problemas são muitos. Um governante não é um office-boy do povo mas um agente de transformações.





