Governança progressista
FHC está na Suécia, reunido com seus pares de outros países, em convescote autodenominado Cúpula da Governança Progressista. Que significa governança progressista?
Na verdade a palavra progressista está mal empregada. Esse termo foi apropriado pelas esquerdas para se contrapor ao termo conservador, carregando um sentido valorativo positivo ao primeiro vocábulo, enganando o incauto desinformado, e depreciando o segundo. O fato é que os esquerdistas não são nada parecidos com alguém que pugna pelo progresso econômico e social e os conservadores estão longe daqueles que querem o atraso e a injustiça social.
Vemos aqui um exemplo clássico de novilíngua, a inversão dos sentidos das palavras com o fito de enganar as pessoas, para o alcance de objetivos políticos espúrios.
O que esses senhores que defendem o socialismo fazem na verdade é praticar o mal por atacado, é praticar a injustiça social, é quebrar as regras básicas da ética distributiva inerente ao livre mercado. Tomar recursos dos cidadãos trabalhadores para entregá-los às multidões de desocupados, desobrigados a se engajarem no esforço produtivo, é mais que uma imoralidade, é uma insanidade econômica, determinando a má distribuição de renda, a má alocação de recursos, a ocorrência de desemprego estrutural, a perda de eficiência econômica e o sacrifício da liberdade. Sim, tanto para os escravos pagadores de impostos exorbitantes, como para os recebedores da mesada estatal, há a perda da liberdade. Os primeiros perdem a liberdade material, mas para os segundos a situação é ainda pior: perdem a liberdade do espírito, tratados que são como crianças, incapazes de proverem o seu próprio sustento, cevados na mentira política e na inverdade econômica com o único propósito de perpetuar no comando do Estado os espertalhões da tal governança progressista. Não é fácil viver como sanguessuga, um parasita social.
É uma insanidade econômica porque a sua lógica leva à entropia do sistema. O caso argentino está aí para ninguém mais duvidar. O Brasil também é um (mau) exemplo, pois a nossa governança progressista tem nos condenado a crises recorrentes, à perpetuação dos males econômicos. Os países europeus estão enrascados também com a exorbitância de seu wellfare state, não sabendo o que fazer para eliminar essa praga que, além de praticar injustiças, retira a competitividade econômica no plano internacional e condena a economia a taxas de crescimento acanhadas, impossíveis de gerar empregos para a juventude. Os socialistas, de progresso, não entendem nada. São a vanguarda do atraso.
Não há substituto ético e eficiente ao livre mercado e às instituições capitalistas; não há monstruosidade moral e iniquidade econômica maior do que ação exorbitante do Estado. Essa é a verdade mais óbvia, que de tanto negada e tratada em novilíngua aparece aos desavisados como o seu oposto.
Uma necessidade imperativa dos tempos atuais é dar o verdadeiro sentido aos vocábulos e ensinar aos muitos o perigo da inversão dos valores. Chega a ser um dever de civismo, uma pedagogia para redimir os oprimidos pela mentira.
José Nivaldo Cordeiro é economista e Mestre em Administração de Empresas pela FGV - SP





