Golpes geraram prejuízos de R$ 37,2 milhões em 2001
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 19 de abril de 2002
Vânia Casado Equipe da Folha 
Curitiba - Empresas que dão golpe em todo o País geraram prejuízos de R$ 37,2 milhões no ano passado. Desse total, 21,9% foram gerados por empresas da região Sul do País. O levantamento do número de empresas golpistas realizado pela empresa Equifax, de informações comerciais com sede em São Paulo, mostra que há um aumento desse tipo de prática no mercado.
Segundo o gerente da Equifax no Paraná, José da Costa, o mais preocupante é que a indústria e o comércio não estão sendo cautelosos na hora de conceder o crédito. Eles se limitam a consultar os terminais de cheques e títulos protestados, mas não se preocupam com pessoas e empresas sem restrições de créditos. É justamente daí que pode aparecer o golpe, alerta.
Costa cita como exemplo o caso recente da empresa Comercial Oklahoma, de Londrina, que deu o golpe na cidade no final do ano passado e até hoje acumula protestos no valor de R$ 63 mil e mais R$ 75 mil aproximadamente em 150 cheques sem fundos, já devolvidos. A Equifax chegou a detectar o golpe antes dele acontecer, disse Costa.
A empresa, recém-aberta, começou a comprar muito todos os tipos de produto. Como não tinha nenhum tipo de restrição, não encontrou problemas em fazer cadastros na indústria e comércio. Ocorre que a empresa registrou sua razão social com o nome genérico de Comercial Oklahoma, sem especificar qual tipo de comércio praticava. Com isso, passou a comprar todo e qualquer tipo de produto.
Quando as empresas ligam para a central para pedir informações sobre seus clientes, o pedido fica registrado. O que chamou a atenção, segundo Costa, foi o fato de a Oklahoma comprar diversos produtos num período muito curto de tempo. Na maioria dos casos, o prejuízo provocado pelas empresas golpistas é irrecuperável porque elas fecham as portas num prazo de 30 a 60 dias e os responsáveis desaparecem sem deixar pistas. Levam a mercadoria sem pagar.
Costa lembra que as empresas ainda se preocupam excessivamente com a inadimplência e não dão a devida atenção para o crédito. Ele disse que as duas coisas andam juntas e se o comerciante ou industrial não se cercar de todos os cuidados antes de dar crédito, poderá inclusive ir à falência, como já aconteceu com muitas empresas.


