GOLPES
EMPRÉSTIMO FÁCIL
Anúncios colocados em jornais com o enunciado ''Dinheiro fácil'' ou ''Precisa de dinheiro?'' podem ser uma armadilha. Esse é um dos golpes mais aplicados em Curitiba, segundo a Delegacia de Estelionato ou Desvio de Cargas. A vítima, precisando do empréstimo, fornece por telefone todos os dados pessoais para o ''cadastro''. O ''atendente'' da falsa financeira diz que o valor solicitado será depositado em conta corrente, mas que a compensação só será feita depois que a vítima depositar determinada quantia referente às taxas de administração e seguro na conta corrente da ''empresa''. Normalmente, os golpistas pedem 20% do valor do empréstimo. Ao confirmar o depósito do empréstimo (feito com cheque roubado), a vítima deposita ''dinheiro bom'' na conta do estelionário, que em geral é uma conta ''alugada''. O telefone anunciado, segundo o delegado Cícero José, na maioria das vezes é celular pré-pago, que a operadora não tem como identificar o dono. Muitas vezes, a vítima quando ameaça chamar a polícia é intimidada pelo golpista, já que forneceu a ele todos os dados, inclusive, endereço residencial.
GOLPE DO VEÍCULO
Pessoas que anunciam a venda de carro nos jornais devem se certificar de que o comprador é idôneo. O que tem acontecido com frequência, em Curitiba, segundo o delegado Cícero José, é de golpistas se apresentarem como funcionário de alguma empresa de porte que acabou de ser demitido e de posse de cheque roubado no valor próximo ao do veículo demonstram enorme interesse em fechar o negócio. A tentação de receber o dinheiro à vista, leva as vítimas a aceitarem a proposta sem checar os dados do comprador. Normalmente, esse tipo de golpe é aplicado em finais de semana, para que a vítima só dê conta do prejuízo, alguns dias depois. Nesse meio tempo, o golpista já tratou de repassar o carro para um terceiro de boa fé, que também corre o risco de ter duplo prejuízo.
CONTO DO BILHETE PREMIADO
Por mais batido que pareça, muitas pessoas continuam caindo nesse golpe. O golpista se passando por uma pessoa humilde aborda a vítima pedindo informações sobre o endereço de uma agência da Caixa Econômica Federal dizendo que tem um bilhete premiado de loteria.
Depois de muita conversa, o falso ''caipira'' propõe vender o bilhete premiado por uma fração do seu valor. Para justificar a generosa oferta dirá que tem pressa (porque o ônibus parte em 15 minutos), que esqueceu os documentos, que está desorientado com a burocracia ou com a ''cidade grande'' etc. Ele sugere à vítima que, por telefone, confira os números premiados, indicando o número para o qual deve ligar. Um segundo golpista confirma, ao telefone, os números do bilhete.
Acreditando em toda a farsa, a vítima sacará o dinheiro da própria conta bancária e o entregará ao golpista em troca de um bilhete que não vale nada. De acordo com o oficial de planejamento do Comando de Policiamento da Capital, major Roberson Luiz Bondaruk, há suspeita de que uma quadrilha esteja agindo nos terminais de ônibus do Boqueirão e Vila Hauer, em Curitiba.
CONTO DO PACO
O golpista escolhe a vítima e, com aparente descuido, deixa cair um pacote de dinheiro. No chamado ''paco'' o malandro coloca normalmente notas verdadeiras por cima e por baixo do maço que é recheado com papel ou jornal cortado no tamanho das cédulas de verdade. Um segundo golpista se aproxima da vítima e sugere dividir o dinheiro. A vítima, em geral uma pessoa honesta, não aceita a proposta e chama o primeiro elemento para lhe devolver o dinheiro. Agradecido pelo gesto o golpista oferece uma gratificação. Seu comparsa o acompanha até à suposta empresa onde ele receberá a recompensa. A vítima fica à espera para dividir a gratificação. O malandro volta com uma espécie de ''vale-gratificação'' e diz à vítima que ela deverá ir pessoalmente receber o dinheiro, mas que para isso terá que deixar sua carteira como garantia. A pessoa não encontra o endereço da falsa empresa e o golpista some de posse de seu dinheiro e documentos.
FALSO DEPÓSITO
O alvo preferido dos golpistas são profissionais liberais, especialmente, advogados. Procuram um escritório de advocacia dizendo ser traficante ou outro criminoso de peso procurado da Justiça e, por isso, precisa de ajuda para se esconder. Diz que foi aconselhado por seu advogado a vir para o Paraná e dá um número de telefone, normalmente em outro Estado, para que o advogado vítima converse com o falso advogado. Este confirma a história de seu ''cliente'' e encoraja a vítima a ajudá-lo, já que o bandido estaria disposto a depositar R$ 100 mil em sua conta. Entusiasmado com a cifra, o advogado aceita a proposta e dá o número da conta bancária. O golpista garante que o cheque será depositado naquele mesmo dia, mas que precisará de um adiantamento de R$ 20 ou R$ 30 mil para poder se hospedar e dar conta de outras despesas. A vítima tira um extrato e ao conferir que o cheque foi mesmo depositado dá o dinheiro ao golpista. No dia seguinte, o advogado recebe do banco a notícia de que o cheque, normalmente roubado, foi devolvido.
GOLPE DA FUMACINHA
Agem em dupla e escolhem como vítimas mulheres sozinhas em carros de luxo como Mercedes e BMW. A abordagem acontece no meio do trânsito, quando posicionam o carro em que estão ao lado do carro da vítima fazendo sinal de que alguma coisa no veículo está anormal. Ao parar o carro, os golpistas dizem que o motor está fumaceando e se passando por mecânicos oferecem ajuda. Ao abrir o capô dão um jeito de soltar algum cabo para que o carro não funcione. Fazem toda uma cena como se estivessem empenhados em resolver o problema, quando um deles acha o suposto defeito mostrando para a vítima a peça a ser substituída. Cheio de benevolência, um dos malandros se prontifica a comprar a peça estragada. Algum tempo depois, o golpista que permaneceu com a vítima recebe uma ligação em seu celular. É o companheiro dizendo que encontrou a peça, mas que custa R$ 1 mil ou R$ 2 mil. A vítima querendo se livrar do problema concorda com o valor. O espertalhão volta com a mesma peça que retirou e a recoloca no carro, que prontamente funciona. Agradecida, a vítima paga o golpista pela peça ''substituída''.
GOLPE DA LIQUIGÁS
Há golpes que já são classificados como furto qualificado. É o caso do chamado golpe da Liquigás. Os marginais normalmente agem em dupla e se apresentam como funcionários de uma distribuidora de gás de cozinha dizendo que estão checando botijões que apresentam vazamentos. Os malandros escolhem pessoas de idade para aplicar o golpe. Enquanto um entra na casa para o falso conserto o outro fica na rua. Diz que o serviço custará apenas R$ 5,00. Quando a vítima vai apanhar o dinheiro, ele a segue e retorna ao seu posto, sem ser percebido. Com a desculpa de que precisa de uma ferramenta qualquer pede ao dono da casa que vá chamar o companheiro. Ele se aproveita da ausência da vítima para pegar o restante do dinheiro.
Segundo o oficial de planejamento do Comando de Policiamento da Capital (CPC), major Roberson Luiz Bondaruk, outros marginais se apresentam como funcionários de outras prestadoras de serviços, como Sanepar, Copel, e aproveitam para render as vítimas e roubá-las.





