Brasília - O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Eleazar de Carvalho, afirmou ontem que a operação de capitalização da Globo Cabo poderá superar o R$ 1 bilhão previsto inicialmente. Isso dependerá do interesse de outros acionistas em aderir ao acordo fechado este ano entre o banco, as Organizações Globo, a RBS e o Bradesco e da conversão de debêntures em ações.
De acordo com Carvalho, que prestou depoimento na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, existem outros R$ 120 milhões em debêntures de posse de instituições financeiras nacionais e internacionais que poderão ser convertidos nas mesmas condições dos sócios majoritários - em torno de R$ 1,50 por papel.
Ao todo, pelo menos R$ 210 milhões de debêntures serão convertidos pelos signatários do acordo na operação de capitalização, dos quais R$ 125 milhões são do BNDES.
‘‘Entendemos que é muito atraente fazer essa conversão agora’’, disse o presidente do BNDES, ressalvando que não estava fazendo uma recomendação ao mercado (o que é proibido por lei).
Segundo Carvalho, as ações da Globo Cabo têm valor superior sobre a cotação de ontem na bolsa (R$ 0,35), e a perspectiva é de que - mesmo com os riscos implícitos - se valorizem acima das debêntures, que são títulos de renda fixa corrigidos pela variação do IGP-M mais 12% de juros ao ano.
A participação do BNDES na capitalização poderá chegar a R$ 281 milhões, incluindo R$ 39 milhões de dinheiro novo injetado na Globo Cabo. Se outros agentes não aderirem à operação, prevista para ser concluída até o fim de junho, o BNDESPar passará a deter até 13,5% do capital social da empresa.

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