Globalização, trabalho e educação - Gilclér Regina
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de outubro de 1998
Gilclér Regina 
Será que existe hoje alguém que se diz contra a globalização? Nos dias atuais, com a grande revolução global, acabou o interior. Agora nós não estamos mais competindo com São Paulo, Minas ou com o Mercosul. As relações de comércio são globais. Uma chamada telefônica para Nova York custava US$ 69 o minuto, em 1969. Hoje, via Embratel, custa R$ 3,50 o minuto. A passagem aérea para Nova York custava US$ 5.500 e hoje custa US$ 460, incluindo a taxa de embarque.
O mundo ficou pequeno, globalizado. Você compra um livro pela Amazon Books via Internet e o mesmo é entregue em qualquer parte do mundo em 15 dias. Antigamente, ouvia-se muito falar coisas do tipo: Empresa do Fulano tem sede própria. Era até diferencial de marketing. Hoje é ridícula esta afirmação. Não interessa saber onde é a sede de qualquer empresa.
A globalização é irreversível. Dentro de pouco tempo, vamos poder comprar, financiar e pagar globalmente e nem vai existir o banco local. Eu vou entrar na Internet e propor a algum banco de Cingapura um empréstimo para comprar um carro na Alemanha. Vou comprar produtos de supermercados em Los Angeles, enfim, vou estar globalizado; esta é a tendência: sermos cidadãos do mundo. Vemos que o inglês tornou-se uma língua universal e, quem não fala inglês, fala espanhol.
Seu filho vai estudar em qualquer lugar do mundo. Hoje, podemos fazer mestrado e doutorado, via Internet, em mais de 50 universidades do mundo. Este é o novo mundo. O novo esperanto do mundo é o Windows. No Zimbabue fala-se Windows. Em Gana fala-se Windows. No Paraguai fala-se Windows. Esse é o novo conceito da globalização, onde as mudanças ocorrem com uma rapidez a velocidade do som e tudo vai mudando.
A Europa levou 15 dias para saber da morte do presidente norte-americano Abraham Lincoln. Hoje, quando as Bolsas de Hong Kong ou de Moscou tiveram quedas, imediatamente, on-line, as Bolsas do Rio e São Paulo quase quebraram juntas, 15 segundos depois. As relações de emprego irão mudar substancialmente. Na Suécia, contratam-se hoje o marido e a mulher para o mesmo cargo. O marido trabalha três dias e a mulher, dois, pois eles não têm quem fique com a criança em casa.
Tem cabimento, hoje, a discussão se se deve abrir ou não os shoppings aos domingos? O Sindicato dos Empregados do Comércio muitas vezes é contra, pois o funcionário tem o direito de passar o domingo com a sua família, mas, e o médico não tem? E a enfermeira? E que tal a aeromoça? E o piloto? E tantos outros... Por que eu posso e ele não? A tendência é cada um de nós deverá se preocupar mais com renda e menos com emprego, e sermos responsáveis pela nossa Previdência e seguro.
O setor de serviços será o grande gerador de emprego: turismo, shoppings etc. Por exemplo, o Shopping Recife, o maior da América Latina, tem hoje 7.500 funcionários. Qualquer shopping médio do interior tem aproximadamente 1.000 funcionários. O Hotel Transamérica de Comandatuba tem 680 funcionários. Por outro lado, a Pirelli Cabos inaugurou a maior fábrica de fibras ópticas da América Latina, no interior de São Paulo, com apenas 52 empregados. A Gatorade acaba de inaugurar sua fábrica brasileira, com 48 funcionários.
É bom que os prefeitos em geral se preocupem com empregos em suas cidades, mas sem a visão míope de ficar prometendo indústrias que na realidade não trarão empregos para a sua comunidade. As pessoas que dão aula particular, que confeitam bolos etc. é que vão gerar empregos, e isso, com alta tecnologia.
Já pensou em escrever um artigo como este ou um livro sem a vantagem e os benefícios do computador? Na base da antiga máquina de escrever? Para mudar uma frase no meio de um parágrafo nós tínhamos que mudar tudo? Meu filho hoje nem sabe o que é papel carbono. Já pensou o mundo sem xerox, sem o fax, sem a Internet, sem o telefone celular? Quanto ganhamos em tempo? Hoje, esse tempo pode ser utilizado em qualidade de vida.
Alguns, entretanto, em vez de qualidade de vida, vão querer ganhar cada vez mais, porém, essa é uma opção pessoal. Essa unidade na diversidade é que faz o mundo acontecer. A Gessy Lever hoje constrói muito mais salas de aula do que fábricas, e jamais produziu tanto. As empresas estão mudando. As escolas estão mudando. As palestras mudaram, pois hoje a realizamos com muitos recursos lúdicos para poder gravar o conteúdo.
O mundo mudou e para você acompanhá-lo, você já está atrasado na sua mudança. O ser humano que se decide a parar até que as coisas melhorem, verificará mais tarde que aquele que não parou e colaborou com o tempo estará tão adiante que jamais será alcançado.
- GILCLÉR REGINA é consultor de programas de motivação e comportamento nas empresas e autor de livros em Maringá


