Pesquisa divulgada nesta semana pelo Ministério da Saúde (MS) aponta que os brasileiros mais escolarizados consomem mais bebidas alcoólicas do que as pessoas que passaram menos tempo nos bancos escolares. Entre as pessoas com mais de 12 anos de estudo, o índice (ingestão em uma mesma ocasião de quatro ou mais doses para mulheres e cinco ou mais doses para homens) registrado foi de 20,1%, enquanto entre os que estudaram até 8 anos o resultado foi de 15,9%. A porcentagem permanece estável desde 2006, mas não significa que não é preocupante.
A ingestão de álcool é aceita na cultura brasileira. Em certos aspectos é encarada até de forma positiva, como um momento de relaxamento da tensão diária e de socialização. Além disso, as campanhas de conscientização sobre os malefícios do consumo excessivo de bebidas alcoólicas ainda não conseguiram atingir a população como ocorreu nas campanhas realizadas contra o tabagismo. Atualmente, fumar é um considerado um ato ''politicamente incorreto'' e uma das provas disso é que o número de fumantes vem caindo. Dados do MS apontam que, em 2006, 16,2% da população era fumante; no ano passado, o índice foi reduzido para 14,8%.
Merece destaque a diferença de consumo entre as mulheres mais escolarizadas (11,9%) e menos estudadas (7,6%). O fator está diretamente ligado ao aumento da influência feminina na sociedade, com o destaque no mercado de trabalho e do aumento da renda. Outro ponto a ser considerado é que o maior consumo está concentrado entre a população jovem com idade entre 25 e 34 anos (5,9%).
No entanto, há que se intensificar campanhas de conscientização sobre os malefícios provocados pelo consumo de álcool. Além de provocar sérios danos à saúde, há um problema também bastante sério: a mistura bebida e direção. O levantamento apontou que 4,6% dos entrevistados admitiram dirigir após beber qualquer quantidade de bebida alcoólica. Por isso, as fiscalizações são fundamentais. Punições administrativas e modificações nas legislações de trânsito também são de suma importância porque ajudam a educar a população. Atualmente, impera a sensação de impunidade nos casos de acidentes de trânsito provocados por motoristas alcoolizados, até porque a coleta de provas foi dificultada. No entanto, esse cenário não pode perdurar. É preciso uma mudança urgente.

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