Venho manifestar minha opinião sobre a matéria ''Sinal dos tempos: Adeus ao giz e à lousa'', publicada recentemente na FOLHA. Não há como discordar sobre a presença e importância da tecnologia na sala de aula, mas uma notícia assim generaliza procedimentos didáticos que necessitam ser mantidos.
Sou professora há décadas e, há décadas, utilizo a tecnologia. Muitas e muitas vezes montei meus próprios vídeos, levei minha própria TV, vídeo, rádio, CDS e agora meu pen drive. Mas nunca dispensei a lousa e o giz.
Dispensar estes materiais é equivalente a um pedreiro dispensar suas pás, seu prumo, a cal e o cimento. São eles que dão liga na massa, assim como a lousa e o giz dão liga à prática pedagógica do cotidiano. São indispensáveis.
Há tempos percebo que muitos professores já dispensaram esses materiais por vários motivos: sujam as mãos, dá trabalho, provocam rinite etc... No entanto, também vejo quantas dúvidas se acumulam por falta de uma explicação mais prática, mais concreta e visível.
É preciso conservar o que é bom e saber utilizar a tecnologia não como algo capaz de substituir a orientação, a explicação e o diálogo entre o professor e o aluno.
Os professores mais jovens devem se cuidar para não se iludirem e superficializarem o ensino, como alguns que pesquisam os assuntos na internet e não lêem aquilo que pesquisaram. É preciso sempre ir além e atentar os mínimos detalhes, para um ensino sólido e um aprendizado pleno.
Na sala de aula, a relação professor-aluno é fundamental. O que o aluno precisa é de professores que dominem a cultura geral, construída histórica e criticamente, além de conteúdos que o faça se tornar um cidadão consciente e responsável, que não apenas necessite dominar a tecnologia superficial e fútil.
Assim sendo, acredito que a escola é ainda o lugar para alcançar conhecimento, aquele construído histórico e criticamente, sim, através da evolução das ciências e das técnicas, mas não em detrimento do saber. Caso contrário, nem a tecnologia nos manterá conscientes e humanos.

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