O que mais sobressai no estadista Getúlio Vargas é seu acendrado sentimento de Pátria, presente em todos os pronunciamentos e ações político-administrativas.
No Império, coube a Caxias, com a espada e o apaziguamento garantir a integridade territorial do Brasil. Vargas consolidou a unidade nacional, feito que a história registrará com destaque, por ter sido fator fundamental para o Brasil tornar-se potência mundial, predestinação que será confirmada, apesar do entreguismo praticado pelos vassalos da globalização desenfreada.
Vargas jamais se curvou aos poderosos de sua época, fossem Hitler, Mussolini e Hiroito, que governavam Alemanha, Itália e Japão, a Tríade do Eixo; ou Stalin, o ditador soviético, ou, ainda, Roosevelt e Churchill, os líderes dos Estados Unidos e da Inglaterra.
Para construir a Usina Siderúrgica de Volta Redonda e produzir aço, essencial à emancipação econômica do País, Getúlio Vargas negociou simultaneamente com a Alemanha e os Estados Unidos e, por fim, obteve do presidente Roosevelt dos EUA os equipamentos e o empréstimo de capital necessários à concretização da obra.
Destemidamente, em 1938, o Brasil foi a primeira Nação que enfrentou o temível Fuhrer Adolf Hitler. Vargas não se submeteu à atitude insólita do embaixador Karl Von Ritter do 3º Reich, que arrogantemente exigia que fosse revogada a proibição do funcionamento do Partido Nazista. Considerou-o ‘‘persona non grata’’, expulsou-o do nosso território e o proibiu de regressar ao Brasil. Com devoção à Pátria, Getúlio combateu e derrotou ao mesmo tempo o comunismo e o nazismo, ambos de caráter internacionalista, que se digladiavam dentro do nosso território, ameaçando a ordem interna.
Vargas também repudiou banqueiros ingleses, que lhe fizeram, durante audiência no Palácio do Catete, observações incompatíveis com a dignidade do País. Refutou-as, levantou-se, encerrou o encontro e manteve a moratória da dívida externa.
Nos 19 anos de seu governo (1930 a 1945 e 1951 a 1954) Getúlio só fez única viagem ao exterior, aos vizinhos Uruguai e Argentina. Mas recebeu a visita do presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt e de diversos chefes de governo de outros países.
Ato de profunda repercussão Vargas praticou ao estatizar a empresa estrangeira Itabira Iron, que mantinha inertes nossas reservas de ferro; fundou a Companhia Vale do Rio Doce, que se tornou a maior empresa exportadora do Brasil e uma das principais mineradoras do mundo. Lamentavelmente, a ‘‘Vale’’ desde maio de 1997 pertence, além da CSN e dos Fundos de Pensão entre outros donos, ao Nations Bank, ao City Bank, a George Soros, a fundos e empresas localizados nos paraísos fiscais. Os assuntos de minérios saíram da agenda econômica brasileira, apesar de nossas imensas riquezas minerais.
Na área do petróleo, as empresas estrangeiras tiveram durante 80 anos o nosso território à sua disposição para perfurarem poços e nada fizeram. Vargas decretou o Código de Minas, nacionalizou o subsolo e criou sucessivamente o Conselho Nacional do Petróleo e a Petrobrás, que produz anualmente 1 milhão de barris diários de petróleo e no ano 2000 produzirá 1,5 milhão de barris, praticamente nosso atual consumo. Somos auto-suficientes na produção de derivados do petróleo.
Getúlio criou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE) para financiar obras de infra-estrutura e as indústrias de base. Agora, o BNDE(S) se transformou em financiador de firmas, que abocanham o patrimônio nacional nos leilões de privatização.
Quando Vargas assumiu o poder em 1930, as bandeiras dos estados eram mais reverenciadas do que a bandeira nacional. As polícias militares de São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais tinham poder de fogo para enfrentar o Exército. Houve a queima simbólica das bandeiras estaduais do Panteão da Pátria, no Rio de Janeiro, e vedada a importação de armas pelas polícias estaduais. Getúlio edificou fábricas de material bélico e criou divisões motorizadas para o Exército. Os arsenais da Marinha voltaram a funcionar, depois de 50 anos desde o império, e passamos a construir navios de guerra em nossos estaleiros. O Ministério da Aeronáutica foi criado. Edificaram-se novos prédios para as Escolas de Formação (e aperfeiçoamento) de Oficiais. Com nova e forte estrutura de defesa nacional, tornou-se possível organizar a Força Expedicionária Brasileira, que se cobriu de glórias em terras da Itália, lutando contra os alemães, durante a 2ª Guerra Mundial, da qual também, participaram heroicamente um esquadrão da Força Aérea Brasileira e a Marinha, escoltando comboios de navios e defendendo as costas brasileiras.
Contrastando com a visão estratégica de Vargas, o atual governo anuncia que vai extinguir os ministérios militares e criar o Ministério da Defesa; ao mesmo tempo minimiza o papel das Forças Armadas, desviando-as para operações policiais e combate ao narcotráfico, e condena ao sucateamento aviões, navios, tanques e outros apetrechos militares.
A inigualável gestão de Getúlio Vargas permitiu que o Brasil experimentasse extraordinário crescimento econômico - sem inflação e com moeda forte - que perdurou em governos posteriores até 1980. O Brasil agrícola, oligárquico e desumano de antes de 1930, transformou-se em um Nação moderna e industrializada. A legislação trabalhista atenuou as dissensões sociais e fortaleceu o mercado interno.
Nenhum homem público brasileiro foi tão honesto e desapegado a bens materiais como Getúlio Vargas, comprovado pelo seu inventário e de seus filhos. Ele viveu e derramou seu próprio sangue no dia 24 de agosto de 1954, como os olhos sempre voltados aos interesses do povo e da Pátria.
Que falta faz o estadista Getúlio Vargas nestes tempos de ‘‘globalização’’ e de imposição de conceitos de ‘‘soberania restrita’’, que levam nossa economia à desnacionalização e põem em risco o poder brasileiro na Amazônia!
- LÉO DE ALMEIDA NEVES é suplente de senador pelo Paraná e ex-deputado federal

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