O baixo crescimento econômico do primeiro trimestre, de apenas 0,6%, conforme anunciou o IBGE na última quarta-feira, no mesmo dia em que o Comitê de Política Monetária (Copom) decidia entre taxa de juros de 7,5% ou 7,75% ao ano, minimiza essas pequenas variações da Selic como ferramenta de estímulo/refreamento da inflação e da expansão do PIB. Na verdade, o Brasil precisa ir além, com medidas mais consistentes e estruturais, para consolidar as conquistas dos últimos anos.
Não podemos colocar em risco a baixa taxa de desemprego, que se mantém em torno de 5%, o processo bem-sucedido de inclusão socioeconômica e ascensão de milhões de pessoas das classes E e D para a C, reservas cambiais superiores a US$ 400 bilhões e dívida externa equacionada, dentre outros fatores.
Para manter esses avanços e ir mais à frente, crescendo bem acima do que vem ocorrendo, precisamos enfrentar com determinação os anacrônicos empecilhos de nossa economia, como os ônus exagerados dos tributos e a sua complexidade, a insegurança jurídica, os intrincados trâmites do comércio exterior e a pesada burocracia sobre as empresas, dificultando sua operação.
Necessitamos, com urgência, retomar a agenda das reformas estruturais, em especial a tributária, a previdenciária e a trabalhista. O governo, agindo corretamente, estimulou o consumo, o crédito e a liquidez, com isenções fiscais, flexibilização dos compulsórios bancários e medidas pontuais de estímulo, como a desoneração da folha de pagamentos. Também reduziu o preço da energia elétrica e vem adotando medidas segmentadas de incentivo. Porém, como toda ação de emergência, essas estratégias esgotam-se. Portanto, não é mais possível adiar as reformas constitucionais, modernizar o Estado e oferecer mais segurança jurídica.
A crise mundial parece não dar tréguas. Os números do crescimento da China, abaixo das expectativas, a persistência das graves dificuldades na União Europeia e o desempenho aquém do esperado da economia dos Estados Unidos mostram ser premente mantermos o que foi construído com muita dificuldade nos últimos anos. O Brasil enfrentou bem a conjuntura internacional adversa, mas é importante realizar as chamadas reformas estruturais, que lhe darão musculatura para continuar se desenvolvendo.
Tais medidas, que a Nação espera há 25 anos, desde a promulgação da Constituição de 1988, são cruciais para o sucesso de nossa economia e muito mais eficazes do que alguns pontos percentuais da taxa Selic!

ANTONINHO MARMO TREVISAN
é membro do Conselho Superior do
Movimento Brasil Competitivo e Conselho
de Desenvolvimento Econômico e Social
da Presidência da República em São Paulo

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