Menos da metade dos municípios paranaenses possui aterros sanitários regularizados. Esse dado foi revelado por uma pesquisa realizada pelo TCE-PR (Tribunal de Contas do Estado) em parceria com a Sedest-PR (Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável) e aponta um problema que precisa ser enfrentado com seriedade pelas administrações municipais.

Segundo a pesquisa, enquanto 157 municípios já contam com aterros dentro da legalidade, outros 49 ainda tentam regularizar a situação e, o que é mais grave, 62 mantêm lixões ativos. Trata-se de um problema ambiental que compromete a saúde pública, contamina o solo, os lençóis freáticos e agrava as mudanças climáticas.

A pesquisa foi conduzida por meio do envio, aos 399 municípios paranaenses, de um questionário eletrônico a respeito do assunto. Ao todo, 383 entes forneceram respostas válidas ao formulário. O trabalho tem como objetivo auxiliar as prefeituras na gestão dos resíduos sólidos urbanos, mapeando o panorama atual para planejar e executar ações de forma mais efetiva e eficiente.

A pesquisa também demonstrou que 253 prefeituras desembolsam valores substantivos para deslocar resíduos sólidos a outras localidades, sendo os destinos mais citados Cascavel (26 menções), Fazenda Rio Grande (18), Maringá (14), Apucarana (12) e Nova Esperança (12).

Esse deslocamento dos resíduos sólidos não é uma operação barata e há o peso orçamentário da operação e os custos giram entre R$ 15 mil e R$ 67 mil mensais.

Outro dado preocupante apontado pelo estudo é em relação à baixa adesão à separação de recicláveis; pelo menos um terço (156) realiza a gestão de orgânicos – por meio de compostagem ou biodigestão – de forma inadequada; e há apoio insuficiente às cooperativas de catadores em 75 municípios.

Por outro lado, é animador saber que 90% dos municípios demonstraram interesse em projetos sustentáveis. Isso mostra que há vontade política em buscar solução. Uma das saídas pode estar na formação de consórcios regionais para gestão de resíduos, modelo que demonstrou ganhos em planejamento, governança e economia de escala.

A solução depende de união. É preciso que o Estado, os municípios e a sociedade civil tracem juntos um plano ousado e exequível de gestão de resíduos sólidos. A sustentabilidade deve ser um compromisso real com o futuro.

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