Recente pesquisa divulgada pela Universidade de Harvard apontou: 80% dos norte-americanos que procuram uma consulta apresentam problemas de gerenciamento das emoções. O fenômeno é mundial e desencadeia uma série de doenças relacionadas à mente. Mas seria possível virar o jogo? Prestes a lançar ''4 Passos Para a Mudança Interior'', o filósofo Silas Barbosa Dias acena positivamente.

Em entrevista à FOLHA, ele orienta as pessoas a deixarem a condição de platéia e tomarem o palco da vida. ''Devemos nos dar a chance de desejar novas mudanças, de não desistir dos sonhos e buscar sempre a transformação'', indica.

O senhor cita o resgate do ''eu saudável'' em face ao ''eu neurótico''. Como promover essas mudanças?
O primeiro segredo é o resgate da liderança do ''eu saudável''. Basicamente, o ser humano tem construído o ''eu doente'' e nós precisamos mudar isso. Numa empresa, por exemplo, a pessoa é contratada pelo currículo e pela competência que parece ter e acaba sendo demitida pelo comportamento. A inteligência multifocal mostra que nós podemos resgatar o ''eu saudável'', gerenciando os pensamentos. As emoções geram decisões e hábitos que podem determinar o destino e as atitudes práticas de uma pessoa. Nós pensamos bilhões de coisas em milésimos de segundos e precisaríamos aprender a gerenciar isso.

Mas manter-se sempre com esse ''eu saudável'' não soa falso?
O que temos preconizado, na psicologia da inteligência multifocal, que está muito ligada à psicologia cognitiva, é que nós podemos parar o fluxo do pensamento negativo. Pregamos a técnica chamada de DCD: duvidar, criticar e determinar a mudança. Antes de determinar uma mudança de pensamento, precisamos desconstruir uma crença falsa. Se você acredita que nada vai dar certo em sua vida e passar a duvidar, já começa a administrar isso. Quando eu duvido que não vai dar certo, o cérebro mostra que é possível alterar o caminho. A dúvida cria uma espécie de trombada no problema.

Há muitas pessoas que estão aparentemente bem, mas internamente estão mal. Como explicar isso?
São os barracos psíquicos. É como se a vida delas fosse uma cidade. Há muitas pessoas que aparentam estar bem, mas moram, internamente, num bairro de preocupação, de ansiedade, de medo, de pânico, negativo. Elas moram no lugar errado, pois construíram barracos psicológicos, cortiços psíquicos negativos. E isso independe de classe social. Não é raro vermos pessoas morando nas mais belas casas e, ao mesmo tempo, habitando os cortiços psicológicos. Por isso que, independente da classe social, é muito importante desconstruir pensamentos negativos.

Mas nosso cérebro é moldável?
Sim. Um pensamento pode gerar um gatilho e a pessoa faz uma ancoragem num lugar negativo. Quando eu duvido das minhas crenças, eu altero minhas emoções. Esse seria o terceiro passo, que me permite reeditar o filme da memória. Como não podemos deletar os problemas, uma vez que temos uma memória de uso contínuo, podemos abrir novas janelas. Sabe-se que, quanto maior a emoção, mais forte o registro. Diante disso, precisamos reeditar o filme, fazendo com o que está no centro da memória vá para uma memória existencial.

Serviço:
''4 Passos para a Mudança Interior'' será lançado em todo Brasil no mês de setembro.

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