O rápido envelhecimento da população brasileira exige do governo medidas voltadas para proteção dessa faixa etária. Segundo projeção do IBGE, os brasileiros acima de 65 anos que em 2013 somavam 14,9 milhões (de um universo de 200 milhões) devem saltar para 58,4 milhões em 2060. E a saúde dos idosos é um dos itens que merecem atenção. É nessa idade que o indivíduo é acometido por uma série de doenças que exigem cuidados médicos e medicação adequada. Em geral, o custo dos remédios acaba comprometendo o orçamento de muitas famílias, cuja fonte de renda é a parca aposentadoria paga pelo INSS. Por isso, a introdução dos medicamentos genéricos no Brasil deve ser celebrada como uma importante conquista.
Reportagem de hoje da FOLHA relembra os 15 anos da regulamentação dos genéricos no País, fruto de uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária em agosto de 1999. Vale ressaltar que o genérico possui o mesmo princípio ativo do remédio original (marca), portanto, vai combater ou prevenir os sintomas de determinada doença. Um fator atrativo para sua prescrição está justamente no preço: o genérico é em média 56% mais barato que o seu correspondente de marca, uma sensível economia para o consumidor. Apesar disso, há desconfiança de boa parte dos médicos que ainda resiste em indicá-los aos pacientes. Pesquisa da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor mostrou que 46% dos médicos entrevistados tinham dúvidas quanto à eficácia e segurança dos genéricos. Por outro lado, 83% da população disseram confiar nesse tipo de medicamento.
Levantamento da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos mostra que, mesmo mais em conta, esses remédios representam somente 28% das vendas do mercado nacional. Em países mais avançados os genéricos praticamente lideram as vendas: alcançam 60% na Alemanha e no Reino Unido e chegam a 80% nos Estados Unidos. A alta tributação do governo seria outro fator inibidor da maior participação dos genéricos no mercado brasileiro: 37% do preço do produto é de impostos. Em outros países o imposto chega a zero.
O governo brasileiro deveria seguir o modelo adotado por outras nações e reduzir a carga tributária sobre os genéricos. A iniciativa traria um alívio à saúde e ao bolso do consumidor.

mockup