Geddel é o contrapeso de Jarbas
Baixo, atarracado, gordo e enfezado, o líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Geddel Vieira Lima, é a antítese dos políticos que a turma do PSDB imagina ser. Não tem lustro intelectual, não tem o prontuário limpo na biografia parlamentar, não é bom papo e não cultiva a ciência artesanal de fazer amigos e conquistar pessoas. Dono de gigantesca avidez por espaço nos gabinetes da Esplanada dos Ministérios (e nas empresas públicas administradas a partir de ordens oriundas dos gabinetes de ministros), Geddel passou os últimos seis anos transformando em votos no plenário da Câmara a sua influência no governo. Ou seja, notabilizou-se em precificar o desempenho da bancada que lidera lutando por espaços na administração. Sei que, traduzindo ao rés do chão, isso é o que se designa fazer política. Não raras vezes, as lutas de Geddel foram ilegítimas.
O governo, José Serra, candidato oficial à Presidência, e o PSDB conhecem Geddel e seus métodos. Por isso, querem distância regulamentar do líder do PMDB. Irão usá-lo para selar uma pragmática aliança eleitoral. Vitoriosos, não se ungirão de pudores para descartá-lo. Sabem que, se não procederem dessa maneira, correm o risco de inflar o já ególatra Geddel. Inflado, será transformado num monstro dolorosamente ingovernável que só morrerá depois de muitos estrebuchos. Como essa fita passou há pouco tempo nos DVDs da tucanada ora estrelada por Antonio Carlos Magalhães, ora estrelada por Jader Barbalho , o peemedebista baiano já teve o nome impresso nos talões de rifas pós-eleitorais de Brasília. O PSDB não dará poder nem ousadia a Geddel, pois sabe o que vem dali. Escolado, tem ciência de que o PMDB não dará a Serra a mesma tranquilidade de maioria folgada que a aliança governista deu a Fernando Henrique Cardoso desde 1995. Os serristas alertaram aos peemedebistas com os quais se afinam a falta de disposição que têm para ligar o taxímetro a cada votação no Congresso e descobrir, no fim do dia, o valor da corrida.
Administrador competente, dono de rara habilidade para delegar tarefas e cobrá-las com ênfase, Jarbas Vasconcellos, governador de Pernambuco, é o oposto desse estilo PMDB de legislar. Jarbas foi escolhido por sua biografia para perfilar ao lado do presidenciável tucano mas ele não é PMDB. Na melhor das hipóteses, é o que foi o PMDB. Hoje, o partido de Geddel é o contrapeso que José Serra terá de suportar para receber o lustro de uma liderança nordestina na chapa. Depois da eleição, lança-se o contrapeso ao mar.
LUÍS COSTA PINTO é jornalista em Brasília





