Os brasileiros nunca viajaram – e gastaram – tanto no exterior. Balanço do Banco Central (BC) mostra que o gasto de turistas brasileiros em viagens internacionais foi recorde no ano passado desde o início da série histórica do BC, em 1947. Os estrangeiros também gastaram mais no Brasil, mas a conta de viagens internacionais fechou o ano passado com deficit de US$ 15,6 bilhões (despesas de turistas do exterior no Brasil).
Em março, os gastos de brasileiros em viagens chegaram a US$ 1,870 bilhão, o maior resultado para o período. No primeiro trimestre deste ano, as despesas de brasileiros em viagem ao exterior somaram US$ 6,022 bilhões, contra US$ 5,381 bilhões se comparado ao mesmo período do ano passado.
Os números refletem a estabilidade da economia, além do aumento do emprego e da renda da população. É fator positivo porque indica um ganho financeiro das famílias. Os brasileiros têm sido atraídos pelos preços das viagens internacionais. Passagens aéreas mais baratas e com pagamento facilitado, hotéis no exterior com tarifas muito mais baixas do que a de similares brasileiros, além de preços extremamente atrativos de confecções e eletrônicos têm levado mais turistas ao exterior. Tanto que segundo a Associação Brasileira de Agências de Viagens, um dos destinos mais procurados são os Estados Unidos, terra do consumismo e de preços muito menores do que os praticados no Brasil.
É claro que o turismo interno tem que ser incentivado e os nossos destinos divulgados, mas os preços têm que ser mais competitivos. Se o problema é a carga tributária, cabe uma revisão, até porque já é passada a hora. No entanto, o que também deve ser discutido é o aumento do custo de vida no Brasil. Nos últimos anos, os preços de alguns produtos e serviços subiram muito, puxados pelo propalado aumento da renda dos brasileiros. Dessa forma, é caminho natural que as pessoas procurem outros países para passar suas férias.

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