Não chega a surpreender o resultado da pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de que as famílias gastam mais com saúde do que o próprio governo. Grande parte dos trabalhadores custeia planos privados, além de arcar com despesas, ainda que parciais, de exames, procedimentos e medicamentos. Também não é novidade afirmar que a saúde pública oferecida está muito aquém das necessidades dos brasileiros.
Segundo levantamento ''Contas-Satélite de Saúde'' os gastos das famílias chegaram a 56,3% do total do País entre o período de 2007 e 2009. Neste último ano o gasto público médio com saúde foi de R$ 645,27 por pessoa, enquanto as despesas privadas foram de R$ 835,65 per capita, em média. Apesar disso, a pesquisa aponta ainda que os gastos públicos cresceram proporcionalmente mais do que os privados: 5,2% no período contra 3,5%. É interessante que o total de investimento das administrações públicas tenha crescido mais, em porcentagem, do que os gastos da população. No entanto, no total as famílias gastam muito mais, índice que deveria ser invertido.
Se, ao menos em tese, o Sistema Único de Saúde foi criado para prestar atendimento gratuito e universal não parece correto que as famílias arquem com tamanho gasto. Com o descaso das administrações, que não chegam a investir o mínimo exigido pela legislação, é natural que a população que tem condições financeiras invista em um plano privado de saúde. Além disso, há outros custos, como de exames e procedimentos, medicamentos, e por aí vai.
Agora, com a sanção da presidente Dilma Rousseff da Emenda 29 - que define percentuais mínimos de investimentos anuais por parte dos governos federal, estadual e municipal - é de se esperar que melhore a qualidade dos serviços prestados à população. São várias as necessidades e, por isso, é preciso vigilância intensa dos órgãos fiscalizadores e da sociedade para fazer cumprir a lei. A punição dos responsáveis também será fundamental para garantir a efetividade da legislação.

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