São inequívocas as vantagens para a economia paranaense se as prósperas regiões nuclearizadas por Londrina, Maringá e Ponta Grossa forem contempladas com o abastecimento de gás natural extraído na Bolívia e transportado pelo gasoduto atualmente em construção.
Combustível limpo, não poluente e barato, o gás natural contribuirá para impulsionar o nosso desenvolvimento, principalmente com sua utilização industrial, que reduz os custos de produção. É também de significativa relevância a realização que o gás natural propiciará de uma termelétrica nas proximidades de Curitiba, com capacidade de 450 MW.
O enfoque que vem sendo suscitado é o de alterar o atual traçado do Tronco Sul do gasoduto Brasil-Bolívia, que chegará a Curitiba, provindo de São Paulo e atravessando a região do Vale do Ribeira, a mais pobre do Estado vizinho.
Para ser realista, não parece viável modificar o roteiro aprovado, licitado e já em obras por parte das empresas contratadas pela Transportadora Brasileira Gasoduto Brasil-Bolívia (TBG), a sociedade de economia mista, sob o controle acionário da Petrobrás que conta com vários acionistas da iniciativa privada.
Não obstante, há outros caminhos e providências que podem resultar no alcance da meta colimada, sendo fundamentais entendimentos e possível parceria entre subsidiária da Petrobrás (TBG), a Compagás e a Comgás, companhias estaduais paranaense e paulista, respectivamente, que atuam na área de distribuição de gás canalizado, com responsabilidade na ampliação da rede de gasodutos.
Outro dado que não pode ser desprezado é que o tronco principal do gasoduto Brasil-Bolívia não passa exatamente pela cidade de Bauru, em São Paulo. Coube a Comgás paulista elaborar o projeto de um ‘‘braço’’, partindo do ‘‘linhão’’ do gasoduto até atingir essa cidade.
Para viabilizar a reivindicação paranaense é imprescindível que esse ‘‘braço’’ do gasoduto tenha um diâmetro grande, compatível para permitir o transporte do gás natural a Londrina e Maringá.
As regiões de Campo Largo e Ponta Grossa estão para ser atendidas pela Compagás (Companhia Paranaense de Gás), que já teria elaborado o projeto de um ramo secundário, que sairá de Curitiba do futuro tronco central.
A discussão da matéria não pode embutir nenhuma característica passional, e, sim, modelar-se por aspectos técnicos, que comprovem a real necessidade do pleiteado e sua viabilidade econômico-financeira.
Com a maior urgência precisa ser levantada a demanda potencial de gás natural nas regiões por onde passaria o novo tronco do gasoduto, listando a das indústrias existentes e projetando a dos empreendimentos em execução.
Vale ressalvar que o êxito de nossa reivindicação de agora não invalida o projeto de trazer o gás natural da Argentina, através do gasoduto que entraria pelo Oeste paranaense, suprindo também a região norte-paranaense.
Sem tardança, não importando que serão os próximos governantes eleitos, no âmbito estadual ou federal, essa questão deverá ser levada avante com firmeza e embasamento técnico, para concretizar de fato os anseios paranaenses.
A solução exige atuação rápida e contatos técnicos de cúpula entre as diretorias da Transportadora Brasileira Gasoduto Brasil-Bolívia S.A., Compagás e Comgás, como decorrência prática da meritória conjugação de esforços que uniu o Paraná em torno dessa causa, desde os poderes Executivo e Legislativo até a classe política e somando as entidades representativas do empresariado.
- LÉO DE ALMEIDA NEVES é suplente de senador pelo Paraná e ex-deputado federal

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