O Brasil é um dos recordistas em homicídios de jovens, segundo o ‘‘Mapa da Violência’’ divulgado pela Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura). Atrás apenas da Colômbia e Porto Rico, o País apresenta hoje o maior índice de mortes de jovens causadas por armas de fogo entre 60 países pesquisados. A notícia, com destaque na edição de ontem da Folha, indica que, nos Estados brasileiros mais violentos – Rio de Janeiro, São Paulo e Pernambuco, os homicídios são responsáveis por mais da metade das mortes de pessoas com até 24 anos. Na edição de hoje, a Folha mostra, em ampla reportagem, que Londrina, infelizmente, apresenta índices igualmente alarmantes. Cinquenta e cinco por cento dos homicídios este ano vitimaram jovens com até 24 anos. Destes, a grande maioria nem completou 18. ‘‘A guerra dos meninos’’, publicada na página 9 deste Caderno, expõe um dos nossos mais graves problemas sociais. Sem oportunidades, garotos recém-saídos da infância e em condições sociais precárias são sumariamente executados, quase sempre a tiros. Há cinco décadas, epidemias e doenças infecciosas eram as principais causas das mortes da população até 24 anos. Hoje, o tráfico de drogas, o crime organizado e a guerra de gangues exterminam meninos que não tiveram chance de sonhar e nem tempo para viver.
Ruth Meira

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