O pequeno Adriano Morais, 6 anos, aproveita o recreio da escola municipal José Garcia Villar, no Jardim Interlagos, para ir à sala de leitura. Ali, dirige-se direto à estante de livros infantis. Quietinho, lê página por página. E não é o único: a meninada é louca pela leitura das obras infantis. Tanto os da primeira série fundamental, entre os quais Adriano, como de turmas mais adiantadas. Eles aprenderam a encarar os livros com prazer: não são obrigados a ler, mas são despertados para o prazer da atividade, a descoberta de manusear o livro.
Enquanto Adriano fuça os livrinhos, Jorge Luiz Mendes de Oliveira, 10 anos, também chega para a leitura. Vem atrás dos títulos para os mais crescidos, que identificados por uma fita adesiva azul. Os preferidos de Jorge são os de aventura. O recreio é a hora em que há tempo para a atividade. Ou na quinta-feira, quando a classe de Jorge tem a Hora do Conto. Todas as turmas da escola participam, durante a semana, desse encontro com as pequenas obras literárias. Na semana passada, o tema era o medo do escuro. Na próxima, serão os livros de Ziraldo. A semana também é aguardada com expectativa por Jorge, porque, enfim, os alunos poderão levar livros para casa. ''Não tenho nada em casa, mas eu leio revistinhas'', diz.
Regina Célia Silva Lourenço, a professora que administra a sala de leitura e ministra a Hora do Conto, diz que o interesse pelos livros já está criando situações curiosas. Há alguns dias, uma disputa por um título acabou em choradeira. Um garotinho armou o berreiro, quando viu que o livro que queria já estava sendo lido por um colega. ''O recreio é rápido, e não deu tempo para
os dois dividirem a leitura'', relembra a professora. Algumas tardes, a sala que guarda os mais de 4 mil livros da escola fica apinhada, com mais de 30 crianças. Alguns precisam achar um cantinho no chão.
Na escola professor Moacyr Teixeira, no Conjunto Maria Cecília, a situação é parecida. Mais uma estante precisa ser providenciada para dar conta de tanta encadernação. Por volta das 16h, a sala da biblioteca fica cheia de leitores mirins. O detalhe é que todos eles estudam de manhã: frequentam a biblioteca nas horas de folga, fascinados pela leitura. Nesse horário, também podem retirar os livros que levam para casa. Carolina Aparecida Milhorine tem 9 anos, e lê pelo menos duas obras por semana. A aluna da quarta série é uma das mais fiéis nas mesinhas de leitura. E não pensa duas vezes ao revelar porque gosta tanto da atividade. ''Quando a gente lê, a gente viaja'', diz.

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