Garimpo no lixão enriquecia ceia de mais pobres
No Jardim Santa Fé (zona leste), o clima das semanas que antecederam o Natal não foi muito diferente de outros dias deste ano, um dos mais difíceis que a comunidade já viveu. Pelo menos, é o que garante Ana Maria dos Santos, 43 anos, auxiliar de serviços sociais do local. ''Esse ano foi terrível para todo mundo aqui, e o Natal também vai ser. O pessoal tinha condições de ter uma boa ceia quando podia catar o que sobrava de supermercado no lixão. Esse Natal vai ser bem fracassado, já que o desemprego está complicando a vida de todos aqui'', relata Ana Maria, que há anos ajuda a comunidade junto com a igreja.
O pedreiro José Lopes da Silva diz que o presente que o Papai Noel trará aos 8 filhos - entre 3 e 17 anos - será ''feijão e arroz, servido contadinho''. O filho mais velho não consegue emprego. A mulher, vez ou outra, arruma um servicinho, mas insuficiente para zerar as dívidas com energia e abastecimento. Santos calcula que são mais de R$ 150,00 de dívidas, nos três talões de luz e quatro de água que a família não pagou. ''Estou admirado que não vieram cortar ainda, mas eu acredito que o Natal vai ser sem água e sem luz mesmo'', lamenta.





