Gargalos do agronegócio
A falta de mão de obra é mais um dos gargalos enfrentados pelo setor produtivo. Oferta de empregos maior do que a demanda, falta de qualificação, políticas assistencialistas são alguns dos problemas enfrentados pelas empresas. O que já era conhecido na cidade, também tem atingido fortemente o agronegócio. Reportagem do suplemento Folha Rural, desta FOLHA, abordou o assunto. Nem o aumento do nível salarial e a capacitação contínua dos trabalhadores rurais para operar máquinas e equipamentos têm segurado as famílias no campo.
Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, apontam que o número de trabalhadores que atuam na atividade agrícola caiu 14,2% entre 2002 e 2013. Já no Paraná houve uma redução de 40% no período. Se os índices são apontados como uma tendência, uma vez que esse movimento já foi registrado nos Estados Unidos e na Europa, também pode-se afirmar que muito poderia ter sido feito para "segurar" as famílias no campo, o que também não foi feito.
O agronegócio, assim como vários outros setores da economia, pouco tem sido incentivado. Política de preços mínimos e seguro rural, por exemplo, são reivindicações antigas do setor, mas que recebem pouca atenção. Se a mecanização da atividade é "um caminho sem volta", como apontam especialistas no assunto, seria interessante que fossem desenvolvidas políticas e programas com objetivo de manter as famílias nas propriedades.
Atualmente o agronegócio é que tem sustentado a balança comercial brasileira. As indústrias foram severamente afetadas pelo cenário de crise econômica mundial e desaquecimento do mercado interno. Se muitos Estados ainda mantêm a vocação agrícola, é preciso mais atenção ao setor como um todo.





