Com a apro­xi­ma­ção das elei­ções, os ins­ti­tu­tos ofi­ciais que pes­qui­sam o com­por­ta­men­to dos in­di­ca­do­res eco­nô­mi­cos e so­ciais, de­vem di­vul­gar, com fre­quên­cia, uma pro­fu­são de da­dos po­si­ti­vos. ­Eles se en­car­re­ga­rão de mos­trar os acer­tos do ­atual go­ver­no. Dian­te do fan­tás­ti­co su­ces­so, a po­pu­la­ção re­ce­be uma for­te do­se de oti­mis­mo. E vai des­va­ne­cer-se de qual­quer ves­tí­gio pes­si­mis­ta dei­xa­do por tan­tas de­nún­cias de cor­rup­ção, uso da má­qui­na pú­bli­ca pa­ra cam­pa­nha elei­to­ral e ou­tras de­nún­cias nun­ca apu­ra­das..
  Se­rão in­for­ma­ções co­mo re­du­ção da ina­dim­plên­cia, re­cuo na emis­são de che­ques sem pro­vi­são de fun­dos. Nes­sa ale­go­ria to­da, o Bol­sa Fa­mí­lia te­rá aten­di­do mi­lhões de ca­ren­tes. En­fim, aqui­lo que vo­cê vê no ho­rá­rio no­bre se­rá mul­ti­pli­ca­do vá­rias ve­zes. E vo­cê se ren­de­rá ao ‘‘Es­pe­tá­cu­lo do ­Crescimento’’.
  Mas, on­tem sai­ram da­dos que pa­re­cem ver­da­dei­ros e me­re­cem ser co­me­mo­ra­dos. Se­gun­do o ­Ipea, a as­cen­são so­cial ele­va a ren­da de 19,5 mi­lhões de pes­soas em 7 ­anos. É le­gal ver que a po­pu­la­ção es­tá ele­van­do seu ní­vel de vi­da.
  A po­pu­la­ção bra­si­lei­ra co­me­çou a as­cen­der pa­ra fai­xas de ren­da per ca­pi­ta ­mais al­tas. Es­sa as­cen­são não se ob­ser­va­va des­de a dé­ca­da de 80. Se­gun­do aná­li­se do ­Ipea, en­tre 2004 e 2008, 7 mi­lhões de pes­soas in­gres­sa­ram na fai­xa de ren­da mé­dia (com ren­da men­sal per ca­pi­tal de R$ 188 a R$ 465) e 11,6 mi­lhões de in­di­ví­duos che­ga­ram ao es­tra­to su­pe­rior de ren­da (ren­da per ca­pi­ta ­maior que R$ 465 men­sais).
  Em con­tra­par­ti­da, a fai­xa de ren­da bai­xa (in­fe­rior a R$ 188 por in­di­ví­duo) per­deu 11,7 mi­lhões de pes­soas. No pe­río­do, o au­men­to da po­pu­la­ção foi de 6,9 mi­lhões de pes­soas. ‘‘Há si­nais da vol­ta da mo­bi­li­da­de so­cial no ­País, o que não se via até a dé­ca­da de 90’’, afir­ma o pre­si­den­te do ­Ipea, Mar­cio Poch­mann.
  Se­gun­do da­dos do ­Ipea nas agên­cias Fo­lha­press e Es­ta­do, a par­tir de 2005, o Bra­sil re­gis­tra uma im­por­tan­te in­fle­xão na evo­lu­ção da iden­ti­da­de so­cial da po­pu­la­ção.
  Os bra­si­lei­ros que su­bi­ram de clas­se so­cial en­tre os ­anos de 2005 e 2008 so­ma­ram 18,5 mi­lhões, mos­tra le­van­ta­men­to do ­Ipea di­vul­ga­do nes­ta quin­ta-fei­ra. O nú­me­ro re­pre­sen­ta qua­se 10% da po­pu­la­ção do ­país, ho­je com cer­ca de 193,7 mi­lhões de ha­bi­tan­tes.
  A ala­van­ca des­sa es­ta­tís­ti­ca te­ve a par­ti­ci­pa­ção dos pro­gra­mas so­ciais. Ago­ra ca­be ao go­ver­no- pre­cur­sor des­sa mu­dan­ça de per­fil - ­criar con­di­ções pa­ra que a tra­je­tó­ria de cres­ci­men­to se sus­ten­te, mas com per­nas pró­prias.

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