Gaijin e o significado para Londrina
Falar de flores é necessário, e neste final de semana elas foram simbolizadas pela consagração do filme ''Gaijin'' no Festival de Gramado. É uma vitória da cineasta Tizuka Yamasaki mas também uma vitória de Londrina, porque esta produção de longa metragem foi realizada em sua maior parte na cidade e tem a ver com a epopéia da colonização e com a presença dos imigrantes japoneses nessa epopéia. O filme saiu da maior mostra nacional de cinema como o melhor, além de receber prêmios em outras três categorias, e, como todos os éditos que se relacionam com a história de Londrina, desfruta do privilégio especial de poder colocar em cena atores que foram personagens vivos da história. Como a coadjuvante Aya Ono, de 77 anos, que é feirante e vive as duas histórias: a narrada no filme e a real. Ela recebeu o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante e os aplausos dos jurados e da platéia presente na cidade da serra gaúcha, palco dos festivais brasileiros de cinema há 33 anos. Como narra o crítico de cinema deste Jornal, Carlos Eduardo Lourenço Jorge, presente ao acontecimento, ''o júri se comportou acima de suspeita de favorecimentos ou influências estranhas, e optou por reconhecer uma história distante dos pampas, mais precisamente localizada entre o Norte do Paraná e o Japão dos pioneiros de ontem e dos dekasseguis de hoje''. Com a vitória de ''Gaijin'', um fato ressalta: a oportunidade de recompor a cidade cenográfica, montada na zona rural de Londrina e que ficou abandonada. Seria interessante preservá-la, porque esse sítio de locação cinematográfica ganhou maior status de ponto histórico. Eventualmente a Universidade Estadual de Londrina poderia fazê-lo, por via do Museu Histórico. Em Hollywood, os locais de filmagens são presevados como atração turística. Tizuka, neta de imigrantes japoneses, transplanta para as telas do mundo (marcadamente do Brasil e do Japão) um pedaço da história da colonização de Londrina, marcada sobretudo pela presença de desbravadores brasileiros (paulistas e mineiros) e de imigrantes japoneses, alemães, italianos, espanhóis, portugueses, eslavos, capitaneados pela colonizadora inglesa. A vitoriosa cineasta, ao exaltar a aventura dos colonizadores japoneses nestas terras paranaenses, eles que deixaram um rico legado à pátria que os acolheu, presta um serviço à divulgação da cidade com a produção do filme, que passará a ser exibido ao público a partir de setembro e deverá ser visto em muitos países e agora com muito mais interesse pela valorização da obra após a premiação de Gramado.





