Gaeco em atividade
A manutenção das atividades do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), anunciada ontem pelo governo do Estado, deve ser comemorada pela sociedade. Um dos poucos órgãos públicos bem avaliados pela população, a possibilidade de os trabalhos ficarem inviabilizados devido a um novo modelo proposto pela Secretaria de Segurança Pública preocupou a opinião pública. Além de protestos e "rolezinhos", foi um dos poucos assuntos que mobilizou os paranaenses nos últimos meses.
O problema estava se arrastando desde setembro do ano passado, quando a Secretaria de Segurança Pública (Sesp) anunciou que seria feito um rodízio de policiais que poderiam atuar na instituição por no máximo dois anos. Além disso, os promotores ficaram impedidos de escolher os policiais e a indicação partiria da Sesp. A partir de então, as novas normas criaram um mal-estar entre Ministério Público e Secretaria de Segurança. A mudança foi encarada como uma forma de inviabilizar as investigações conduzidas pelos promotores.
Agora, a partir do acordo firmado ontem, o Gaeco continuará a indicar os profissionais e a análise será feita pelo governador Beto Richa (PSDB) e o procurador-geral de Justiça. É o fim de um mal-estar gerado, além da certeza de que as investigações serão mantidas, como é o desejo da população. Importante lembrar que os trabalhos desenvolvidos pelo Gaeco é que levaram à cassação dos ex-prefeitos de Londrina Antônio Belinati e Homero Barbosa Neto; ao desmonte dos atos secretos praticados na Assembleia Legislativa; e à prisão do advogado Marcos Colli, acusado de pedofilia. São casos emblemáticos da recente história local e estadual e que comprovam a seriedade dos trabalhos desenvolvidos pelo Ministério Público (MP).
O fim da impunidade para crimes de corrupção deve ser uma das lutas da sociedade. Inclusive, foi uma bandeiras dos protestos realizados no ano passado que, entre outras coisas, pedia a não aprovação da PEC 37, que pretendia limitar o poder de investigação do MP. O novo acordo respeita a vontade dos paranaenses e coloca o Estado na rota da transparência e da legalidade.





