Futuro só amanhã Julio Mendes Gavinho Chegamos ao ano 2000 e a tudo que nos remete a futuro. Vários filmes que nos acompanharam durante a vida sempre usaram a referência do novo dígito milenar como chegada à modernidade. Será que nossa economia também chegou nessa esquina histórica? A última mudança forte de rumo na ordem econômica mundial foi certamente a revolução comercial, consequência da revolução industrial, que trouxe ao mundo, desemprego, instabilidade social, grandes corporações e o dióxido de carbono. Sem elucubrações sentimentais e filosóficas, o grande momento é do setor de serviços. Ano após ano, as indústrias estão mais mecanizadas, a agricultura está mais mecanizada e nós estamos mais mecanizados. Como em páginas de George Orwell, estamos em um 1984 virtual, aonde somos sumariamente substituídos por máquinas. Mais que concentração de riquezas, a nova ordem do século XX trouxe a concentração de qualidade de vida. Note que em 200 ou 300 anos, em face da miscigenação, peste, guerra civil ou terrorismo de estado, corremos o sério risco de não ter mais negros puros no planeta. Isto é mais sério que o mico-leão-dourado. O emprego médio perdeu 38% das vagas (United Nations report 1998) de 1950 até 1998, considerando-se o aumento da população e das economias, criando déficit nas previdências públicas de muitos países. A solução talvez esteja no lazer dos que mantêm seus empregos e empresas. O setor de turismo cresce 6,5% ao ano, desde 1980. A cada ano, novos hotéis, navios de cruzeiros e resorts surgem ao redor do mundo. Quando consideramos que este crescimento se dá também no Brasil, com o boom dos parques, a inclusão de nosso litoral nos roteiros das operadoras de cruzeiros e a crescente implantação de resorts e hotéis, é fácil visualizar os 2 empregos em cada 10 gerados diretamente pela atividade no Brasil. Existe uma indústria pronta, que necessita de óbvios acertos, e que está implantada e funcionando em nosso país: O Turismo. O Estado precisa despertar para esta realidade, observando que os mesmos milhões investidos em subsídios para os setores primário e secundário, se investidos em promoção e capacitação de mão-de-obra, gerarão resultados em empregos e impostos, agora. O produto turístico, além de altamente perecível, é certamente um dos de resposta mais imediata por parte do consumidor. Promovemos, hoje, para vender o Carnaval, que é daqui a dois meses. Que outra indústria com investimentos públicos em promoção institucional reagiria assim? A automobilística? Uma campanha ‘‘compre carros brasileiros’’ na França? É hora e tempo de o poder público de todas as esferas demonstrar entendimento e apoio aos investimentos isolados da iniciativa privada, direcionando para esta a mesma atenção financeira que dispensa a outros setores, sob pena de ver-se comprometido perante a opinião pública, que convive com este imenso patrimônio mundial chamado Brasil. JULIO MENDES GAVINHO Diretor Executivo do Iguassu Convention & Visitors Bureau Foz do Iguaçu - PR

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