FUTURO INCERTO - Vida na Terra está ameaçada
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quinta-feira, 29 de novembro de 2007
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
Nascido em Ibiporã, Augusto Daminelli foi ainda moço estudar física na Universidade de São Paulo (USP), onde conheceu a astronomia, ciência pela qual apaixonou-se. Estudioso de grandes astros, ele surpreendeu o mundo científico ao descobrir que uma das maiores estrelas de nossa galáxia, a Eta Carinae, na verdade é um sistema que engloba dois corpos celestes. Conhecido em todo o mundo, ele dirigiu centros de pesquisas com orçamentos milionários nos Estados Unidos. Também prestou serviços para a Agência Espacial Norte-Americana (Nasa). Grande conhecedor do espaço e também da atmosfera terrestre, ele falou à FOLHA sobre assuntos como Camada de Ozônio, aquecimento global e vida fora da Terra.
Qual é a situação atual da Camada de Ozônio?
As políticas que proíbem a produção de CFC deram certo. A Camada de Ozônio está se reabilitando e deve estar completamente recuperada daqui a 50 anos. Isso mostra que políticas públicas funcionam maravilhosamente bem. Temos que esperar, mas o prognóstico é animador.
E em relação ao aquecimento global, o que fazer para melhorar o quadro atual?
Este é um problema que tem pouco a ver com a Camada de Ozônio e muito a ver com a emissão de gás carbônico (CO2). Temos que analisar as possibilidades de melhorar essa situação sob dois aspectos. O primeiro é o governamental, que seria, por exemplo, a obrigação do governo brasileiro de impedir os incêndios na Amazônia e implementar políticas públicas que evitem a poluição do ar. Porém, o mais importante é a revolução popular. Cada bem de consumo gera lixo e impactos na atmosfera. Dessa forma, o melhor jeito é implantarmos a política dos três 'Rs': reduzir o consumo, reutilizar e reciclar.
Vida humana na terra. Quanto tempo ainda temos?
Vamos sofrer devido às mudanças de clima, teremos prejuízos de bilhões e bilhões de dólares, alguns já imediatos. A humanidade vai empobrecer. Quando chegar a hora da falta de recursos agrícolas e da água, vão começar a acontecer conflitos piores do que as guerras mundiais. Existem os cenários otimistas e pessimistas. O otimista é ruim, imagine o pessimista. Daqui a 100 anos a situação vai estar em um nível praticamente insustentável, vamos ter que ficar o dia inteiro debaixo da terra porque vai existir a possibilidade de passar um furação a qualquer momento. Veja que o número de furacões já aumentou, as tempestades estão mais violentas. Mesmo se parássemos a emissão total de CO2 hoje, nos próximos 50 anos ainda sofreríamos as consequências da mudança de clima. Se nada for feito urgentemente, o cenário para daqui a um século é muito ruim. As empresas devem pegar parte do seu lucro e investir em pesquisas para saber o que fazer com o Carbono que produzem. É possível reaproveitá-lo sem jogar na atmosfera.
Afinal, existe ou não vida fora da terra?
Daqui a 15 anos poderei responder. No observatório em que eu era diretor, construímos uma câmera de US$ 15 milhões para fotografar a vida fora da terra. O importante é dizer que E.T. para nós é micróbio. Há uma grande chance de existir vida fora da terra, pois ela requer tão pouco, se forma dos elementos mais comuns que existem e requer pouca energia.
Existe um censo comum de que cientistas são céticos. O senhor acredita em Deus?
Essa é uma pergunta que nós, cientistas, consideramos como de foro íntimo. Nos EUA, se você fizer essa pergunta para um astrônomo estará sendo agressivo. Eu não me ofendo, mas não tenho uma opinião, não tenho uma resposta sobre Deus. Há pessoas que me questionam se não vejo Deus na beleza das galáxias, mas se formos medir Deus pela matéria, ele será uma caricatura. Não encontro um ponto de apoio para me decidir.


