Para os paranaenses, de nascença ou de adoção, o Mapa da Violência 2011, divulgado na última quinta-feira, já trazia um dado nada agradável. A pesquisa, feita pelo Instituto Sangari, em parceria com o Ministério da Justiça, que apresenta estatísticas de homicídios, mortes no trânsito e suicídio nas cidades brasileiras, colocou o Estado na nona posição entre os mais violentos. Mas outro índice merece ainda mais atenção da sociedade em geral e do Poder Público em particular: o aumento dos assassinatos entre jovens.
De um modo geral, a situação mais preocupante é encontrada em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba. Com seus quase 39 mil habitantes, segundo o último Censo do IBGE, o município alcançou o terceiro lugar nacional.
O Mapa, compilado com dados de 2006 a 2008, mostra que o número de homicídios aumentou 17,8% em dez anos, quando a população no mesmo período apresentou crescimento de 17,2%. Também reforçou uma teoria há muito defendida pelos especialistas, e que já foi manchete nesta FOLHA: a interiorização da criminalidade no País.
Dez municípios paranaenses estão entre os cem com maior índice de homicídios no Brasil. Além de Campina, aparecem na lista Guaíra (10º lugar nacional), Santa Terezinha de Itaipu (31º), Piraquara (35º), Guaratuba (40º), Almirante Tamandaré (46º), Foz do Iguaçu (54º), Rio Bonito do Iguaçu (68º), Curitiba (94º) e São Miguel do Iguaçu (99º).
Londrina está na 38 posição em média de homicídios e 72 em mortes no trânsito no Estado. A única vez em que a cidade aparece no documento 2011 é na lista de localidades onde mais ocorrem suicídios, ocupando o 98º lugar nacional.
Mas outro dado ameaça a sociedade de forma mais vil: os homicídios são a principal causa de mortes de jovens entre 15 e 24 anos e a situação está ficando cada vez pior. Quase 40% das mortes nesta faixa etária foram causadas por assassinato.
Segundo pesquisadores, em 1980 a taxa de homicídios entre jovens era de 30 por cada grupo de cem mil habitantes. O número subiu para 52,9 por cem mil. Um dado que não pode ser simplesmente desprezado.
Está na hora do Estado implementar políticas sérias, sem viés eleitoreiro, que visem dar condições de futuro para estes jovens. Que aumentem o acesso à educação, ao esporte, ao lazer, que livrem esses adolescentes da sedução da droga.
Mas também cabe à sociedade civil dar mais atenção aos seus filhos. A falta de limite provoca, a cada dia, novas imagens estarrecedoras. Seja pela intolerância ao diferente, seja pela pura e simples falta de respeito. É necessário começar a mudar esse quadro já, o futuro está em risco.

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