''Quando ganha no futebol, o Brasil perde na política. O futebol esconde coisas que a política faz contra o povo. Mas a gente torce pela alegria do povo e, portanto, vamos torcer para o Brasil ganhar hoje''. As palavras do padre que celebrou a missa das 8 horas, ontem, na Igreja São Vicente de Paulo, são sábias. Ele encerra a cerimônia e sai pela porta principal carregando a bandeira do Brasil, como todo cidadão comum que gosta do futebol - que não tem culpa.
Não precisa ir longe, nem lembrar as denúncias de tanta corrupção, para confirmar o que o padre disse. Não bastasse a corrupção oficializada, temos a tributação que sufoca. A entrevista do professor da FGV sobre impostos (pág.3, 20/6) é um alerta. Opressor, inibidor de crescimento, o imposto impede a prosperidade e esmaga o sonho das pessoas.
Não chega a ser novidade, mas cada vez que um técnico comenta, todos levam um susto. E os prejudicados são todos, pertençam ou não ao grupo dos economicamente ativos. Consumidores e produtores; trabalhadores ou patrões. Essa história de dizer que paga mais quem ganha menos é matematicamente correta, mas todos são penalizados, basta produzir e consumir. O pobre paga muito mais; não que o rico pague menos ou deixe de pagar. O pobre é duplamente prejudicado porque os impostos que paga não lhe voltam em forma de benefício. Tanto que Saúde e Educação neste País são uma tragédia. Só o presidente Lula acha que quanto mais imposto, melhor.
Marco Cunha é mestre em Gestão Empresarial, pela FGV e professor de Finanças do ISAE/FGV. Ele comenta que alguns produtos, como bebidas e cigarros, têm impostos de até 80% do seu valor. ''Cinquenta por cento do que você paga na bomba de gasolina é imposto. Praticamente o mínimo a ser pago de imposto por um produto é 1/3 do preço final. Essa é a 'mordida' que a gente recebe no dia a dia quando vai fazer compra no supermercado, na farmácia''. Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), em 2010, o brasileiro está trabalhando 148 dias só para pagar impostos. É uma pena porque só a redução do IPI provocou grande aumento de empregos e distribuição de renda.

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