O futebol é considerado a grande paixão nacional. Um esporte que tem o poder de unir famílias, aproximar amigos e paralisar uma Nação. Se a realização da Copa do Mundo de Futebol suscitou debates no ano passado, atualmente praticamente todos os brasileiros têm acompanhado os jogos e estão torcendo pela Seleção Brasileira. Se o tão falado "legado" que a competição mundial deixaria para o País, sob a forma de obras de infraestrutura e mobilidade urbana, ficou aquém do programado, talvez seja o momento de debater um outro assunto: a profissionalização da gestão dos clubes.
Embora exista a tendência de o futebol ser encarado como um negócio, nem todos os clubes adotam uma gestão profissional. Entre os times considerados grandes, a renda é obtida principalmente por meio das cotas pagas pelas televisões para transmissão dos jogos, dos patrocínios e da venda da bilheteria. No entanto, não é essa a realidade de todas as agremiações. Longe das câmeras de TVs, a realidade é bem diferente, inclusive para os atletas. Como discutido ontem pela FOLHA, no Brasil o esporte gera menos renda do que poderia atingir.
Estimativas indicam que em 2011 os esportes representaram 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a R$ 67 bilhões. Em outros países a participação é maior. Nos Estados Unidos, por exemplo, o setor atingiu 2,1% do PIB; na Inglaterra, 1,8%; na Austrália, 2,3%; e na Nova Zelândia, 2,8%. Embora o índice brasileiro tenha apresentado crescimento, ainda está longe de alcançar o seu limite, o que viria apenas a partir da profissionalização.
O assunto ainda não faz parte do cotidiano da maioria dos clubes. Pelo contrário. A administração de algumas agremiações é verdadeira "caixa preta", fonte de corrupção e de lavagem de dinheiro. Além disso, muitos times sequer trocam seus administradores, o que perpetua – em muitos casos - uma má gestão, em detrimento de mudanças e novas ideias. Portanto, é importante que a sociedade se atente à questão e passe a exigir mais transparência nesses processos. A eficiência da iniciativa privada deve se estender a todos os setores, inclusive a administração do futebol. Uma gestão profissional e transparente trará mais recursos aos times e certamente atrairá um número ainda maior de torcedores.

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