FUTEBOL - Tubarão na corda bamba
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domingo, 09 de dezembro de 2007
Marco Feltrin<br>Reportagem Local 
Quinze anos sem erguer nenhum troféu, torcida descrente, dívidas acumuladas e mau desempenho dentro de campo. Este é o cenário do Londrina Esporte Clube (LEC), que deixou de ser a 4 força do futebol estadual e hoje não consegue nem vaga na terceira divisão do Campeonato Brasileiro. A FOLHA ouviu Carlos Alberto Garcia, maior ídolo da história do clube na fase dourada do final dos anos 70 e presidente em 2004, quando o Tubarão foi rebaixado na Série B do Brasileiro. Categórico, ele afirmou que a solução para o problema do Londrina é ''grana'', reforçando que o clube pode fechar as portas caso não apareça um ''doido'' que invista R$ 10 milhões para zerar as dívidas do clube.
O que levou o Londrina a esta situação?
O futebol virou um comércio e o Londrina não acompanhou a mudança do negócio. Quando se fala em crise, as pessoas só olham o momento porque não tem resultados na prática, mas a crise financeira do Londrina sempre aconteceu, desde a época em que eu era jogador. O Londrina nunca foi rico. É um clube querido, de porte médio, mas estrutura financeira nunca teve. A diferença daquela época para hoje é que não existiam ações trabalhistas. Hoje, além de não ter receita, estas ações ultrapassam os R$ 5 milhões, um valor impagável. Sem resultados positivos, a torcida foi esfriando e a nova geração agora torce para os grandes de São Paulo. Quando cheguei aqui em 1975, tinha muito corintiano. Depois, com a nossa boa fase, começamos a conhecer os verdadeiros torcedores do Londrina. Só que os filhos dessas pessoas, 30 anos depois, tem o Londrina como segundo clube.
Existe um culpado?
Não quero culpar ninguém porque também fui presidente do Londrina e sei como é. Todos que passaram por ali são vítimas. Não tem o que fazer a não ser colocar dinheiro no clube. Estou com pena desse Adir (Leme da Silva, vice-presidente de futebol) que já colocou quase R$ 1 milhão e não consegue resultados, porque é um saco sem fundo.
O senhor se arrepende de ter sido presidente do clube?
Creio que foi um erro, porque achei que todo mundo fosse ajudar. Muitos ajudaram, mas o buraco é muito maior e você não consegue acompanhar. As ações trabalhistas tornam o clube inadministrável, porque o dinheiro que entra já vai para as mãos do oficial de Justiça. Não ocuparia o cargo de novo.
Foi a paixão pelo clube que o fez aceitar o cargo?
Até hoje sou apaixonado. Nunca mais fui ao estádio, mas todo domingo sofro por isso. Quero o bem do Londrina. Quando fui presidente o clube estava na série B do Brasileiro, depois caiu para a série C e agora não consegue nem vaga na terceira divisão. Se tivesse a série D, cairia também, porque não tem estrutura para suportar.
Onde está a solução do problema?
Grana, grana. Enquanto surgirem estes loucos - eu também fui um louco - é possível sobreviver. Mas quem investe R$ 1 milhão no Londrina vai perder R$ 2 milhões. A pessoa gosta do clube, tem esperança de formar um jogador e vender por US$ 100 milhões, mas isso é muito difícil de acontecer. O Londrina hoje custa, no mínimo, R$ 5 mil por dia. Não tem como enxugar isso.
O Londrina terá que fechar as portas?
Acho que sim. Não tenho nenhuma dúvida disso. A não ser que apareça um doido aí e coloque R$ 10 milhões para zerar as dívidas e começar um trabalho de R$ 500 mil por mês, para tentar levar o time para a série B.
O senhor imagina como vai ser quando este dia chegar?
Ninguém quer que o Londrina morra. Ainda mais para mim que fiz parte de uma época marcada por alegrias no clube. Prefiro que ele morra depois que eu morrer. Será muito triste para mim e para os milhares de torcedores do clube.


