Monetaristas governamentais têm condenado o que denominam política oligopolista dos bancos e, contraditoriamente, o Governo envia ao Congresso medida provisória autorizando o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal a adquirirem outros bancos. Também estimula bancos privados a incorporarem os mais fracos e com problema de liquidez, especialmente depois da crise financeira que irrompeu nos Estados Unidos e espraiou-se pelo mundo.
Agora dois grandes se fundem no Brasil - o Itaú e o Unibanco - e isto robustece o oligopólio e prejudica a sadia concorrência. O Banco Central e o Cade (organismo que policia os casos de prejuízo à livre competição) ainda terão de aprovar esse consórcio, mas tal não parece um obstáculo. Esse tipo de concentração fortalece o sistema financeiro nacional mas não é o melhor para a clientela. Porque aumenta o domínio de poder, que pode resultar em manipulação arbitrária do mercado.
Os dois bancos juntos somam 14,5 milhões de correntistas e 4.800 agências, formando o maior grupo financeiro do hemisfério sul e o 6º do mundo em valor de mercado. Os aspectos prejudiciais são a diminuição de alternativas para os clientes e o temor - já manifestado pelo Sindicato dos Bancários - de ocorrer fechamento de agências, no caso em que duas (uma de cada banco) estejam situadas fisicamente próximas. Também pode haver demissões de funcionários, em todos os níveis, porque isto já aconteceu em incorporações anteriores desse gênero. O sindicalista Otávio Dias adverte que se os juros e tarifas já são altos com a concorrência, tenderão a subir em caso de dominação mais forte, como o caso dos dois bancos grandes que ora se fundem. Viu-se por estes dias a clara amostragem de oligopólio dos bancos ao ameaçarem subir os juros para atender à facilitação de empréstimos desejada pelo Governo para injetar dinheiro no meio circulante e não travar a economia.
Como no sistema empresarial também existe o cartelismo predador - que impõe preços e estratégias de mercado e assim elimina a concorrência entre grupos só aparentemente competidores - o fortalecimento de bancos pela fusão dos mais fortes cria idêntico risco.

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