FÚRIA DO MAR Litoral reclama melhorias na orla
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sábado, 12 de outubro de 2002
Rosana Félix<br> Equipe da Folha 
Matinhos A população e os veranistas de Matinhos, Litoral do Estado, esperam ansiosos pela aprovação do projeto de recuperação da orla marítima (ou ''engordamento'' da praia), que está emperrado há dez anos na Secretaria de Estado do Meio Ambiente por falta de recursos. O projeto já existia durante o governo do peemedebista Roberto Requião (1990-1994). O mandato de Jaime Lerner (PFL) está chegando ao fim, depois de oito anos como governador, e a população de Matinhos ainda espera por uma solução para os problemas que a ressaca causou no município.
Em maio de 2001, a orla marítima da cidade foi destruída por uma grande ressaca, considerada a maior dos últimos 30 anos. Escadas de acesso à praia, calçadas e ruas foram danificadas pela força do mar. O governo estadual investiu R$ 270 mil em obras paliativas, para o conserto do calçamento. Mas no dia 10 do mês passado, a força do mar voltou a derrubar o que tinha sido refeito. Foram destruídos o pavimento e a calçada em uma extensão de quase dois quilômetros no balneário Flamingo.
Para o ouvidor da Prefeitura de Matinhos, Celso Fernandes da Silva, o governo estadual foi omisso com o Litoral paranaense. ''O último grande investimento foi feito em 1996'', relatou. Para o professor do curso de Engenharia Ambiental da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Eduardo Felga Gobbi, vários governos já podiam ter resolvido o problema. ''Desde 1992 temos um projeto de engordamento. O Requião já passou pelo governo, o Mário Pereira e por duas vezes, o Lerner'', analisou.
O projeto de recuperação da orla prevê a colocação de 1,1 milhão de metros cúbicos de areia por uma extensão de 7.660 metros, em Matinhos e Guaratuba. Isso equivale a cerca de 168,4 mil caminhões do tipo caçamba carregados de areia. Os locais que receberão os sedimentos são a Praia Central, a Praia Brava, os balneários de Flamingo e Riviera, em Matinhos, na Prainha (que fica próxima à Caiobá mas faz parte do município de Guaratuba) e na região que vai do Morro do Cristo Redentor até a Praia de Caieiras.
A proposta, já aprovada, prevê a retirada do material de um banco de areia da Baía de Guaratuba, que será bombeada até Matinhos. De acordo com o professor Gobbi, a retirada não vai causar nenhum prejuízo à baía. ''Tanto na questão de hidrovia, como de salinidade e ecossistema'', afirmou.
A obra está orçada em cerca de R$ 23 milhões. Segundo o professor, são necessários três meses para concluir a operação. ''Isso se o governo conseguir contratar os aparelhos adequados'', ressaltou. Também está prevista a construção de vários quebra-mares ao longo da praia, paralelos à orla. ''Queremos diminuir a energia criada pelas ondas visando minimizar a retirada de areia da praia'', explicou o diretor de engenharia da Superintendência do Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa), José Luiz Scroccaro.


