Matinhos sofre as consequências da ressaca por influências da própria natureza, mas principalmente pela ação do homem, explica o professor de engenharia ambiental da UFPR Eduardo Gobbi. Segundo ele, as praias do Paraná estão recebendo menos sedimentos do que são retirados pelo mar, e por isso não há areia suficiente para impedir o avanço da água.
''Mas o grande problema é que há avenidas construídas próximas ao mar, e quando ele avança, destrói tudo, e há a situação de catástrofe'', observou Gobbi. Segundo o professor, outras localidades litôraneas no Paraná sentem os efeitos da ressaca, mas são locais isolados, sem urbanização. ''Mas quando acontece em região que está urbanizada todo mundo vê o problema'', observou.
As praias do Paraná são formadas pelas areias provenientes de cada riacho que desemboca no mar e pelos sedimentos que chegam do Sul, explica o professor. Mas nos últimos anos diminuiu muito a quantidade de areia vinda do Sul. ''Pode ser por causa de um conjunto de intervenções nessa região, como no Porto de Itajaí, onde foi feita uma embocadura de quase 200 metros mar adentro, e em São Francisco do Sul, onde uma empresa de dragagem retira areia sem depositar material novamente'', analisou. Tudo isso causa um desbalanceamento de sedimentos, disse Gobbi, porque sai mais areia do que chega, facilitando a passagem das ondas até atingirem as calçadas e pavimentos.
O professor disse que depois de uma obra de engordamento, é muito importante que o governo realize serviços de manutenção, ou toda a areia fixada será transportada novamente pela força do mar. ''Como o sedimento não chega na quantidade suficiente, temos que fazer a manutenção'', explicou. Essas obras estão fora do orçamento de R$ 23 milhões, que será destinado somente ao projeto inicial.

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