FÚRIA DO MAR Economia local depende de soluções
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sábado, 12 de outubro de 2002
Rosana Félix<br> Equipe da Folha 
Matinhos Os trabalhadores e empresários de Matinhos esperam uma solução rápida para que os turistas sejam bem recepcionados neste verão, mas querem também uma solução definitiva para os problemas da ressaca e mais investimentos do poder público em infra-estrutura.
Para o presidente da Colônia de Pescadores, Adail João Pinto, o engordamento da praia é um bom projeto, mas precisa ser iniciado logo. ''Nos últimos anos, só prometeram e nada saiu'', critica. Ele ressalta que pelo menos está satisfeito com a remoção de 22 famílias que estavam localizadas na Vila dos Pescadores e que tiveram suas casas destruídas pela grande ressaca de maio de 2001. A Prefeitura de Matinhos cedeu terrenos, e o governo do Estado, casas para as famílias. ''Estão bem, têm toda a infra-estrutura e não correm mais risco da ressaca'', diz.
O empresário Sidney Agassi, proprietário de um restaurante, reclama do descaso. Segundo ele, a iniciativa privada deveria se envolver mais para desenvolver o turismo no Litoral. ''Muitas empresas só oferecem os serviços de diversão na temporada. A gente que tem comércio tem que fazer o dinheiro girar na cidade'', argumenta.
''Muita gente tem casa aqui e gosta daqui, por isso volta. Mas depois de ressacas, as pessoas vão para outras praias e compram o peixinho lá. A gente sente a falta'', revela a vendedora do mercado de peixe Vilma do Nascimento. ''Essa praia era muito linda, estamos rezando para que a arrumem, porque tá bagunçada.''
O pescador Eliseu Viana não tem muita esperança que o projeto de engordamento resolverá os problemas causados pela ressaca. ''O mar é muito forte e leva tudo embora. Não adianta gastar dinheiro'', observa. Já o pescador aposentado Manoel Joaquim da Silva, que trabalhou por 40 anos no mar, acha que um mole (quebra-mar) na ponta da pedra de Matinhos resolveria o problema.


