Função social da empresa pública
Obter lucro é uma das metas de qualquer empresa, mas há que atentar também para a sua função social. E se a empresa é pública, esse requisito torna-se ainda mais importante. São sempre melhores as informações sobre lucros empresariais do que prejuízos, e lucratividade significa, no mais dos casos, bom desempenho e competência gerencial.
Mas se a Companhia Paranaense de Energia (Copel) anuncia que obteve lucro de R$ 141 milhões no primeiro trimestre deste ano e se isso consolida a solidez da empresa e valoriza as suas ações no mercado também evidencia que, se há tanto lucro, o consumidor residencial e empresarial poderia ter sido beneficiado com baixa da tarifa.
O lucro se deveu ao aumento de 17,31% na tarifa para venda de energia no mercado atacadista, e a outras vendas, mas atente-se que a Copel já teve, no ano passado, o lucro astronômico de R$ 475 milhões. E notícias de prodigalidade como a distribuição de R$ 3,7 milhões a título de salário-extra a sete diretores e a dezenove conselheiros, por mérito dos lucros, chegam mal aos ouvidos do consumidor, que afinal é quem paga a conta.
Por outro lado, essas informações de lucros fabulosos R$ 617 milhões em 15 meses remetem para a epopéia da frustrada privatização da empresa, no ano passado, o que só não se concretizou porque faltou aos pretensos compradores o suporte para uma tão volumosa transação. Vê-se agora mais nitidamente porque uma empresa tão sólida e lucrativa não deveria mesmo ser vendida e não à toa 80% da população paranaense manifestou-se contrária àquela obsessão governamental.
Milhares de consumidores carentes têm tido a luz cortada, por falta de pagamento embora a existência do plano de tarifa mínima então, diante de tamanho volume de ganho, há que pensar na socialização do lucro, pelo nivelamento para baixo da tarifa, que além de alta para o consumidor residencial influi sobre o preço final dos produtos das indústrias e serviços, que têm na energia elétrica um pesado componente de custo.





