FUMO E ÁLCOOL SÃO OS GRANDES VILÕES
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de maio de 2003
Renê Muller<br>Reportagem Local 
Há dois anos, o câncer era uma preocupação mais do que presente nos encontros do Conselho Municipal de Saúde de Sertanópolis (40 km ao Norte de Londrina). Os casos pareciam surgir dia-a-dia. Dizia-se que entre 1,7% e 1,8% da população estava com a doença. Foram organizadas reuniões especialmente para discutir o assunto. Seria culpa dos agrotóxicos aplicados nas extensas lavouras de soja do município? Seria a água contaminada? Na cidade, com pouco mais de 15 mil habitantes, foram 21 os óbitos causados pela doença em 2001, sete acima dos registrados em 2000.
O conselho pediu até mesmo um exame da água que abastece o município. ''Não encontramos qualquer tipo de alteração que pudesse influir em um aumento de casos de câncer'', lembra a dentista Genoeffa Venturelli Finco, então membro do Conselho Municipal. A situação acalmou-se quando verificada uma diminuição das mortes, que voltaram ao patamar anterior. ''Não há nenhuma anormalidade em nosso número de casos'', diz Pascoal Soriani, secretário de Saúde do município até o mês retrasado.
Ainda que não demonstrem um quadro alarmante, os números de Sertanópolis espelham o aumento da quantidade de mortes por neoplasia, nome médico para os tumores. Os números de mortalidade por câncer nos 20 municípios que compõem a 17 Regional de Saúde do Paraná, no Norte do Estado, voltaram a subir depois de uma ligeira queda no ano de 2001. No ano passado, foram registrados 792 óbitos, contra 753 em 2001 e 766 em 2000.
A maior parte dos municípios, se não teve diminuição, manteve seus índices em um mesmo patamar. Em cinco deles, no entanto, os números cresceram de forma acentuada (veja tabela nesta página). A pior situação é a de Tamarana (62 km ao Sul de Londrina). De três mortes por câncer em 2000, passou para 16 em 2002, um acréscimo de 433,3% de incidência de casos.
Mesmo levando em consideração as estimativas de aumento da população, o coeficiente de mortalidade da região voltou a subir no ano passado. Em 2000, foi de 99,86 mortes para cada 100 mil habitantes. Em 2001, diminuiu para 96,72 mortes. No ano passado, elevou-se para 100,58. Entre as maiores causas de mortes estão o câncer de estômago, responsável por 86 óbitos; o de brônquios e pulmões, com 83; mama, com 52; próstata, com 49; e cólon, com 43.
A média é superior à nacional. A estimativa populacional do Brasil divulgada pelo IBGE para julho de 2002, de 174.636.319 habitantes, e outra, divulgada pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), de 122.600 mortes por câncer ocorridas no ano passado, resultam no índice de 70,20 óbitos em cada 100 mil brasileiros. Entre os tipos de neoplasia que mais causaram óbitos no País, estão o câncer de pulmão, com 15.955 óbitos; estômago, com 11.070; mama, com 9.115; próstata, com 7.870 e colo de útero, com 7.630.


