Punições idênticas às previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente precisam ser impostas aos fumantes que prejudicam a saúde das crianças pela exalação da fumaça. É estarrecedora a informação publicada neste jornal de que crianças expostas ao fumo passivo têm pior desempenho nas escolas que os demais colegas. A pesquisa, feita com 4.400 pequenos expostos à fumaça do cigarro, foi feita pelo Centro de Saúde Ambiental da Criança, nos Estados Unidos, e mostra que até a exposição de baixo nível é altamente prejudicial, e não só às crianças mas também aos adultos. O fato não é novo, mas a novidade é o baixo desempenho escolar dessas vítimas, sem falar da agressão aos seus pulmões ainda frágeis e ao seu sistema respiratório. O mal é vasto, porque atinge a todos os não-fumantes. Este é um problema de saúde pública, e até onde pode ser combatido – em escolas onde professores fumam em plena sala de aula – há que haver severa vigilância. Nos lares, onde a prática é mais intensa, porque pais, irmãos adultos e até adolescentes, no geral, fumam, não há outra fórmula senão o caminho da conscientização para o abandono do vício, espontâneo ou por meio de medicamentos inibidores, em que podem atuar equipes de saúde, voluntários e veículos de comunicação. É uma tarefa extenuante mas que precisa ser intensificada. Muito já se tem feito, especialmente o estabelecimento de normas sobre locais onde não fumar, o que, se não elimina o malefício ao fumante, ao menos protege os circunstantes. De todos os vícios, o que mais mata é o fumo, superando as drogas convencionais, igualmente perigosíssimas e constituindo outro dos grandes males da humanidade. Já se tem apregoado que será necessária intensa campanha de alerta, com depoimentos de especialistas da área da saúde, e deter todas as formas de propaganda. A Organização Mundial da Saúde mostra que 5 milhões de pessoas morrem por ano, no mundo, em conseqüência de doenças originadas do cigarro. O médico Drauzio Varela, freqüente na televisão e que tem prestado grande serviço à causa da preservação da sáude, através de cuidados e mudança de hábitos, afastou do fumo muitos viciados ao mostrar o raio X do pulmão, negro como alcatrão, de um fumante, e o pulmão rosado de um não-fumante. Foi uma imagem chocante, porém necessária e que produziu resultados, segundo depoimentos colhidos. Contra um grande mal, grandes medidas, e essas amostragens de impacto são meios muito eficazes. Campanhas permanentes dessa natureza, com o fim de advertir os fumantes de cigarro – e também os viciados nas demais drogas e outros hábitos comportamentais que prejudicam a saúde – devem ser contínuas. Os veículos de comunicação e as infovias deveriam reservar espaços regulares para essas campanhas, em forma de matéria jornalística e publicitária. O custo social de tratamento dos males advindos é mais alto do quanto se gastará nessa cruzada de conscientização. A proibição do fabrico de cigarro é ineficaz, segundo analistas, podendo até atrair curiosos sobre algo proibido. Outros caminhos são a total proibição da propaganda, a expansão dos locais onde não fumar, a aplicação de sanções, até onde possível, aos que fumam em meio a crianças, e a doutrinação e difusão de depoimentos e imagens fortes, que causem impacto e possam induzir os fumantes a abandonar o vício.

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