Fumantes, devedores do custo social
Se os fumantes não assumem consciência acerca dos males que o tabaco causa à saúde, deveriam ao menos atentar para o elevado custo social que acarretam. Porque os serviços públicos de saúde precisam atendê-los quando o vício resulta em doenças graves, como câncer do pulmão, enfisema pulmonar, bronquite crônica, hipertensão, diabete, arteriosclerose e cinco dezenas de outras mais, com o risco incluso de enfarto ou derrame cerebral. Os custos desses atendimentos são pagos pelos cidadãos. Ontem foi o Dia Nacional de Combate ao Fumo, mas a data é apenas uma referência para sinalizar os malefícios do vício. Os números são alarmantes: 10 mil pessoas por dia, no mundo, morrem em decorrência de doenças provocadas pelo tabaco. No Brasil, grande parte da população fuma, aí incluídos jovens e adultos, homens e mulheres, e além de prejudicar a si mesmos exalam forte mau hálito e inalam fumaça venenosa, que irá contaminar também os circunstantes. Ademais, o cigarro causa mau cheiro na pele, na roupa e no cabelo de quem fuma e de quem não fuma. O ideal seria a proibição do plantio de tabaco e o fabrico do cigarro, mas isto no momento é utopia, porque o próprio Governo se beneficia do alto imposto cobrado sobre esse produto. Ironicamente, muitos ganham com a cultura, a indústria e o comércio do fumo, porém ocorrem ao mesmo tempo perdas incomensuráveis, pela destruição da sáude dos fumantes e dos que os rodeiam, e pelo custo de tratar os doentes resultantes desse vício. A estimativa do Instituto Nacional do Câncer é de que, só este ano, 25 mil pessoas serão diagnosticadas, no Brasil, com câncer no pulmão. O custo é muito alto para a nação, porque, em face das doenças que surgem, cidadãos que estão em idade produtiva deixam de trabalhar, e abarrotam os hospitais. Tem-se proclamado que um povo sadio se plasma pela suficiente alimentação, por exercícios restauradores e pela contenção dos males nocivos ao corpo humano. A cruzada contra o vício do cigarro (e no momento deixa-se de lado a bebida e as drogas) é de responsabilidade de todos e particularmente dos que fumam. Estes têm obrigação de mostrar aos não-fumantes, pela própria experiência, o quanto o fumo causa mal. Os interesses econômicos que envolvem a máquina mortífera do cigarro são poderosíssimos, mas é preciso agir, por meio de medidas educativas e restritivas, até onde possível. Já houve grande avanço com a proibição de fumar em certos locais e não mais permitir a propaganda do cigarro. Mas tudo isto ainda será pouco, porque a solução está na tomada de consciência do fumante e de sua vontade de domar a vicío. Tal é possível, e muitos já alcançaram essa vitória.





