Fuga de investidores e alta do dólar
O governo não conseguiu estancar os gastos, uma necessidade que foi nitidamente sinalizada cerca de um ano atrás. Agora vai ter de administrar um quadro fiscal com possíveis consequência reais, e cuja solução vai exigir sacrifício de alguns setores. Um deles não depende do governo diretamente, mas seus efeitos sim, com certeza, recaem sobre os gestores da política fiscal e financeira. Trata-se do risco da fuga de investimentos estrangeiros. São investimentos especulativos? São. Mas, de alguma forma, esses investimentos lastreiam outros tipos de investimentos de capital.
E tem o dólar, que será afetado. A debandada do capital especulativo, embora aparentemente distante da economia das empresas e das pessoas, na verdade está mais perto do que se pensa. O primeiro exemplo é que a fuga do capital transparece no comportamento do dólar. A alta do dólar está diretamente relacionada a esse fenômeno e ocorre na medida inversamente proporcional da performance vista pelos investidores. E o olhar deles já não é tão confiante.
A fuga de capital é um movimento muito dinâmico e ocorre rapidamente. Ele não está relacionado, necessariamente, aos níveis de risco do país onde esse capital está ancorado. Nesse caso, o Brasil está em alta performance e tem confiabilidade perante os investidores. Portanto, ninguém está falando em aumento de risco Brasil porque a economia brasileira está com boa aprovação.
A fuga de capital está diretamente relacionada às oportunidades de ganho dos investidores/especuladores. Se, amanhã, os investimentos em commodities na Bolsa de Chicago forem rentáveis, os investidores vão migrar para aquele ativo, mais vantajoso.
Além da atração oferecida pela rentabilidade dos investimentos, outro parâmetro que exerce influência sobre os investidores estrangeiros é a condição da política fiscal do governo. É neste ponto que as coisas podem se complicar porque a política fiscal é frouxa e o governo não administrou os gastos. Aqui cabe, de novo, o exemplo de como os investimentos migram rapidamente. Se os Estados Unidos melhorarem sua atividade econômica e o Brasil piorar no quadro do déficit fiscal, os capitais estrangeiros vão embora.





