Fruto da iniciativa
É comum no Brasil o negativismo vencer propostas promissoras, porque se atribui ao governo os resultados desastrosos de qualquer iniciativa. Diz-se que o empresário brasileiro quer trabalhar, mas o comando da Nação, com suas leis e suas medidas muitas vezes definidas e anunciadas de imprevisto, não permite. Há muito de verdade neste posicionamento quase que geral da população, principalmente por vigorar no País um regime político que quer ser moderno, avançado, mas esbarra nas garras que o próprio mentor dessa proposta, o presidente da República, estende sobre seus súditos para deles ter domínio. Domínio, aliás, essencialmente fiscal e financeiro, por via da pesada carga tributária imposta aos que produzem.
Por conta dessa tutela invertida a sociedade cobra do governo soluções para seus diversos problemas. Pois se o governo cobra por tudo, seria normal que ele desse, como produto de venda, tudo pelo que cobra. Na agricultura essa relação de dependência é mais notória. Seja no início ou no fim de cada safra, é comum ouvir de lideranças do setor pedidos de pacotes para garantir ao produtor rural renda que compense as atividades nos quais está envolvido e que é o seu ganha pão e o de sua família. E como as solicitações raramente se cumprem, o que se vê é o abatimento do agricultor após a comercialização de sua produção.
Mauá da Serra, no Norte do Paraná, mostra que só a iniciativa própria dos agricultores, através de suas cooperativas, é capaz de evitar desgostos para esta classe. Reportagem publicada na edição de ontem da Folha, nas páginas 10 e 11 do Primeiro Caderno, estampa de maneira brilhante essa iniciativa e seus resultados, que neste caso podem ser traduzidos em grãos. O município espera colher nesta safra a média de 9,5 toneladas de grãos por hectare, uma marca que chega a uma das melhores do País em produtividade.
Para chegar a este resultado, os agricultores de Mauá da Serra entenderam que só a união da comunidade poderia render bons frutos. E, usando a cooperativa, criaram um grupo que busca o desenvolvimento tecnológico no campo. Hoje lucram com a terra, enquanto em algumas outras regiões imensas áreas ocupadas pelas mesmas culturas que predominam naquele município contemplam seus proprietários com irrisórias rendas.
O exemplo de Mauá deve servir a todos. Desde que haja consciência que, em troca da pesada carga tributária, o governo pague com os serviços e as medidas essenciais para a população, principalmente na educação, na saúde e na segurança. No setor agrícola, cabe ao governo pelo menos cumprir o seu papel de mediar as questões internacionais que interferem nos resultados da nossa agricultura.





