A presença de Gustavo Fruet (PSDB) na disputa pela presidência da Câmara Federal mudou o perfil desse pleito e o tom do discurso corporativista dos outros dois candidatos. O parlamentar paranaense figura agora como uma nova via, porque tanto Aldo Rebelo quanto Arlindo Chinaglia são governistas. O primeiro do PCdoB-SP e amigo pessoal do presidente Lula, e o outro do PT-SP, portanto do partido no poder. Nenhuma diferença ética, política e ideológica entre os dois. Rebelo, atual presidente, autorizou no ano passado o aumento em dobro do salário dos companheiros, o que só não vingou pela reação da opinião pública, suficiente para o Supremo Tribunal Federal derrubar o reajuste. E Chinaglia começou sua campanha no estilo Severino, acenando com vantagens da mesma natureza para os seus pares, especialmente as minorias.
O indicativo de melhor ganho encontrou ressonância favorável no seio parlamentar, por isso esse apelo, porque os candidatos sabem com quem lidam. Quietos, na maioria todos consentem e dão seu referendo. Já Fruet começou falando de ética e de sua preocupação com a imagem dos deputados perante a opinião pública, e isto fez os outros dois se tocarem e a abandonarem o enfoque em que se centravam, e assim passaram a falar menos de benefícios internos e a se lembrarem de outros princípios, como o da ética e da pregação de independência do Palácio do Planalto. Parece haverem descoberto que a presidência da Câmara tem relevante significado e que é também de interesse da população.
A opinião pública não é respeitada pela maioria dos parlamentares, a não ser no período eleitoral, por isso foi importante o jovem político paranaense reavivar a memória dos dois candidatos. Por não acenar com privilégios para seus pares mas defender - quanto aos salários dos parlamentares - um critério compatível com a realidade brasileira, Gustavo Fruet não desponta como um preferido, mas mudou o quadro da eleição depois que seu partido retirou o apoio ao petista e resolveu partir com candidatura própria.
Diante da nova realidade prevê-se um segundo turno, pois são necessários 257 votos dos 513 membros da Casa para haver decisão já no primeiro. Certo é que o advento da terceira candidatura alterou o tom da fala dos outros dois concorrentes, fixados apenas na parte intestina do organismo parlamentar e esquecidos que uma nação inteira os assistia. De repente, tanto Rebelo quanto Chinaglia desfocaram-se do corporativismo e passaram também a falar de compromissos éticos e da necessidade de resgatar o prestígio perdido dos deputados.

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