Fronteira aberta
Quando a discussão sobre venda de armas volta à tona, uma realidade assusta. Armamentos são facilmente contrabandeados pela fronteira com o Paraguai, em Foz do Iguaçu (Oeste). A fragilidade da fiscalização na Ponte da Amizade facilita o esquema, que utiliza motoboys paraguaios (a venda para estrangeiro é proibida naquele país). O interessado encomenda o produto em Cidade de Leste, que é entregue do outro lado do rio.
E o pior: a tendência é que essa realidade se agrave com os cortes orçamentários que a Polícia Federal vem sofrendo. Dos 16 milhões de armas que circulam no País hoje, quase metade (7,6 milhões) são ilegais, de acordo com dados do Sistema Nacional de Armas da Polícia Federal.
Muitas delas, mesmo aquelas fabricadas no Brasil, entram no mercado paralelo brasileiro pelas fronteiras, segundo reportagem da Folha de S. Paulo. E a região de Foz é considerada uma das rotas mais agitadas.
E uma das principais formas de combater o contrabando de armas, e também o tráfico de drogas, está no chão. O Veículo Aéreo Não Tripulado (Vant), avião que registra imagens, chegou há mais de um mês no Brasil, mas não há combustível para os voos. Um pregão eletrônico aberto em janeiro para escolher o fornecedor de 12 mil litros de gasolina de aviação foi cancelado por falta de ofertas, informa o periódico paulista.
O aparelho voa a altitude média de cinco mil metros e registra a placa de um carro em alta definição. Importado de Israel, a aeronave, que custou cerca de R$ 50 milhões, repousa no aeródromo de São Miguel do Iguaçu (Oeste).
A solução encontrada pela PF é fazer com que o fornecedor de gasolina de aviação já contratado assuma o serviço para o Vant, mas não há data para que a situação seja resolvida.
A discussão sobre a proibição ou não da venda de armas no Brasil ainda está longe de terminar - projeto de plebiscito deve passar pelo Congresso -, mas uma coisa é certa: o combate ao contrabando deve ser prioridade. O assunto precisa ser encarado de forma mais eficiente pelo governo federal.





