Frequência de eventos climáticos pede mudança de postura
No Paraná, as regiões Oeste e Campos Gerais fazem parte de um “corredor de tornados”
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sábado, 15 de agosto de 2026
No Paraná, as regiões Oeste e Campos Gerais fazem parte de um “corredor de tornados”
Folha de Londrina 
Duas regiões paranaenses, Oeste e Campos Gerais, fazem parte de um “corredor de tornados” e integram a segunda área com maior incidência desses fenômenos climáticos no mundo, atrás apenas do centro-sul dos Estados Unidos. O dado é preocupante, principalmente se recordarmos o último tornado, ocorrido sábado (8), em Piraí do Sul, que destruiu casas na área rural da cidade e afetou cerca de 500 pessoas.
Difícil esquecer também o tornado categoria F4 (a segunda mais devastadora) que atingiu Rio Bonito do Iguaçu no dia 7 de novembro de 2025, atingindo velocidade de 400 km/h, matando seis pessoas, deixando mais de 700 feridos e danificando 90% das construções da cidade.
Além do Oeste e dos Campos Gerais do Paraná fazem parte desse corredor de tornados o Noroeste do Rio Grande do Sul, o Oeste de Santa Catarina e o Oeste de São Paulo, estendendo-se também à Bacia do Rio da Prata, que além de parte do Brasil inclui Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia.
O geógrafo e pesquisador da UFPR (Universidade Federal do Paraná), Pedro Fontão, disse à reportagem da Folha de Londrina que, especificamente no Paraná, algumas características favorecem a formação desses fenômenos climáticos. Relevos planos em regiões de maior altitude e o desmatamento propiciam as ocorrências. As mudanças climáticas são um terceiro fator de contribuição, agravadas pelo desmatamento de parte da reserva de Mata Atlântica nos Campos Gerais.
Neste ano, a forte influência do El Niño, fenômeno caracterizado pelo superaquecimento das águas do Oceano Pacífico, é considerada mais um fator de risco porque potencializa tempestades e chuvas intensas.
Somente em 2026, o Estado já registrou dez tornados, confirmados pelo Simepar, órgão estadual de monitoramento ambiental, incluindo o ocorrido em Piraí do Sul, que chamou a atenção novamente para a capacidade de resposta dos municípios frente a eventos climáticos extremos.
Segundo avaliação do Progov (Programa de Avaliação de Contas Municipais de Governo), do TCE-PR (Tribunal de Contas do Estado do Paraná), apenas seis dos 19 municípios dos Campos Gerais apresentam uma estrutura considerada adequada para enfrentar desastres desse tipo, ou seja, 68% das cidades analisadas estão em situação de vulnerabilidade.
A análise da estrutura da Defesa Civil dos 19 municípios cruzou os quatro indicadores originalmente solicitados – servidores efetivos, sistema de alerta, avaliação do plano de contingência e existência do plano – com os quatro indicadores adicionais solicitados: gerador elétrico, veículo para áreas remotas, telefone exclusivo e sala própria equipada.
Entre os 19 municípios dos Campos Gerais, receberam a classificação de estruturados apenas seis cidades. Outros sete municípios foram classificados como parcialmente, incluindo Piraí do Sul, e seis localidades foram classificados em situação crítica. A estrutura da Defesa Civil está entre as condições analisadas pelo TCE, além da capacidade de atendimento às vítimas.
Eventos extremos já fazem parte da realidade paranaense. Assim, não é mais possível tratar a prevenção como uma questão secundária ou esperar que uma tragédia aconteça para então reforçar a estrutura de resposta. Tornados não podem ser evitados, mas seus impactos podem ser reduzidos quando há monitoramento eficiente, sistemas de alerta, planos de contingência atualizados e equipes preparadas para agir rapidamente.
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