Frente a frente com a inflação
Já não é possível para ignorar a escalada da inflação. Medida pelo IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado), usado como referência na maioria dos contratos de aluguel, a inflação aumentou 1,06% na segunda prévia do mês, ante variação de 0,95% no mesmo período de maio, de acordo com dados da FGV. Nos últimos 12 meses, a variação do índice foi de 5,39%; no ano, de 5,90%. Quando isso ocorre com a média, o grupo dos itens mais demandados, como alimentos, já está bem acima.
Mas ontem o Dieese divulgou dados a respeito de reajustes de salários que podem reduzir um pouco o impacto da alta dos preços no bolso de cada um. A reposição foi bem negociada; nem a crise financeira do ano passado impediu a aplicação de percentuais, digamos, mais gordinhos. 96% dos reajustes de categorias foram negociados em bases acima da inflação do período. Ou seja as variações de percentuais de pisos salariais ocorreram acima do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) para 96% das categorias.
O ganho real no rendimento foi de até 6% em 70,7% das negociações e superior a esse patamar para 22,2% do total. O incremento está diretamente relacionado à política de valorização do salário mínimo. Na avaliação por setor, o rural apresentou o melhor desempenho, com 97% dos pisos salariais com ganho real e nenhuma das unidades de negociação com reajuste abaixo da inflação. Na indústria, 94,8% tiveram ganhos acima do INPC, enquanto no comércio foram 94,4%. No setor de serviços, esse percentual foi de 88,3%.
Na esteira da pesquisa do Dieese um dado pouco animador. O governo não conseguiu melhorar a curva salarial das classes mais pobres. Na análise pelos valores nominais, o Dieese mostra que 6,3% dos pisos salariais do país estão na faixa até R$ 465. A maioria deles (62,2%) se situa entre
R$ 465,01 e R$ 600. Atualmente, o salário mínimo no País é de R$ 510.





