Fraudes nos combustíveis
A grande repercussão em toda a imprensa das fraudes praticadas por alguns postos de combustíveis não chega a ser surpreendente. Não são de hoje os relatos de irregularidades na gasolina e no etanol, de crimes contra o consumidor e contra o Estado praticados por alguns empresários desse segmento. As fiscalizações praticadas por órgãos de proteção ao consumidor até são realizadas, mas estão longe de qualquer resultado efetivo. Desta forma, a conclusão a que se chega é que o consumidor está completamente abandonado à própria sorte.
É importante ressaltar que não se trata de generalizações. Em todos os segmentos há profissionais bons e ruins. No entanto, a atual situação acaba por expor todo o grupo, levando à desconfiança de toda a categoria. Fica difícil ao consumidor separar o joio do trigo.
Matéria publicada ontem nesta FOLHA traz uma estimativa da Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF). Segundo a entidade, o País perde anualmente cerca de R$ 3 bilhões em arrecadação tributária e faturamento na indústria do setor. No Paraná a estimativa é de R$ 300 milhões, 10% do volume total. Esse montante perdido poderia ajudar no financiamento de várias obras públicas, incluindo a construção de escolas, hospitais e estradas, só para ficar em alguns exemplos. Desta forma, essas maus empresários estão lesando todos os cidadãos.
Também não é surpresa o fato de o Paraná ficar incluído entre os três Estados com mais registros de irregularidades, perdendo apenas para São Paulo e Rio de Janeiro. Não são poucos os problemas relatados frequentemente pela imprensa. Uma das únicas saídas apontadas é a intensificação das fiscalizações, que devem ser conjuntas entre órgãos técnicos e de proteção ao consumidor. No entanto, há que se considerar que a publicidade excessiva do caso já alertou os maus empresários. Por isso, é importante que essas averiguações sejam feitas mais frequentemente e sem agenda definida. Somente com o fator surpresa é que as fraudes poderão ser coibidas.





